As voltas do mundo

Ivan Lessa em ilustração de Baptistão

O mundo gira e a Lusitana roda. Eu aqui vou anotando e pasmando. Quase que digito “pastando”. Estaria então mais perto da realidade dos fatos que cerco, como no quintal o pecuarista iniciante tenta cercar o frango ou a galinha, sua senhora.

***

E já que falei em aves, nestes dias papais que correram céleres por estas dias, preferi acompanhar outros voos. Por exemplo, Jill Newman e sua excelentíssima mãe, Betty Keegan, aqui da cidade de Lerwick, numa das ilhas Shetland, lá na Escócia.

Estavam ambas aproveitando este finalzinho de verão dando um passeio pela praia quando eis-senão-quando, conforme se dizia acoplativamente, estourou-lhes em cima um objeto inesperado. Assustadas, corre uma para cá, outra para lá, ambas temerosas de algum ataque covarde, quando, afinal, se dão conta de que nada mais era do que um… periquito. Vivo e assustado, totalmente inexplicável.

Inteligentes ambas, logo puseram os pontos nos ii e, a seguir, ligaram-nos. Deduziram e era elementar, meu caro Watson, conforme explicaram à pequena multidão que as cercou. O pobre do bichinho fora vítima de implacáveis gaivotas escocesas (umas feras…) que tentaram fazer sabe-se lá o quê com a frágil ave.

O periquito (aqui chamados budgerigar, ou, carinhosamente, pelo seu diminutivo, budgie) conseguiu escapar das garras das aves de rapina e – nisso teve sorte – foi dar justamente com duas damas escocesas de bom coração que prontamente dela (sim, era uma periquita) cuidaram, levando-a a um veterinário, dando carinho e, por fim, residência fixa e nome – chama-se agora Angel, ou Anjo, pois caiu dos céus.

Um caso pouco comum mas digno de registro nesses dias em que chove fezes em certos países como a França, conforme foi amplamente noticiado aqui mesmo neste sítio. Periquito, convenhamos, mesmo que tivesse se arrebentado em cima de mãe e filha escocesas é bem melhor do que bosta.

***

E já que estamos na França, e nada indica que vá chover seja lá o que for, vale a pena registrar, mais uma vez, a extraordinária medida adotada pelo governo de Nicolas Sarkozy: essa proibição do uso da burca pelas mulheres (não creio que tenha para homem), num país que conta com nada mais nada menos que 5 milhões de muçulmanos.

A burca é aquele véu que cobre totalmente o rosto das senhoras e senhoritas árabes de modo a indicar modéstia e não incitar o sexo dito forte a sequer pensar em besteira. O voto final foi esta semana ao Parlamento gálico, onde por 246 votos a 1 (quem será esse cara?), foi declarado oficialmente “um insulto aos valores do país”.

A Al-Quaeda já avisou que isso não vai ficar assim e que, agora sim, é que vai chover aquela chuva de já falamos. E chover de forma explosiva, ao que parece.

As árabes “emburcadas” têm um período de graça de seis meses para se adaptarem às novas regras, caso contrário ficarão expostas a uma multa de cerca de US$ 150 além de aulas sobre cidadania. Pelo menos, não estão sendo obrigadas a trajar um “pretinho” clássico de Coco (olha a chuva!) Chanel.

Como nossos amigos franceses são ligeiramente adeptos de um bom (ou mau, no caso) sexismo, os marmanjos que forçarem suas caras-metades ao uso da burca ficarão sujeitos a um ano de cadeia e uma multa no valor de quase US$ 30 mil. O uso forçado da burca é sinal de fundamentalismo, coisa que, por aquelas bandas, se quer evitar de qualquer maneira.

De qualquer forma, continuam liberados o couscous, o kibeh e o falafel. Pelo menos até este fim-de-semana.

***

Fica aí, ocorre-me agora, uma sugestão para o vestuário bizarro da entertainer Lady Gaga, que, como sabemos, vegetariana não é. Se ela quer criar caso, que em sua próxima apresentação taque em cima, nos lugares estratégicos habituais, o couscous, o kibeh e o falafel. Daí aguarde o que der no YouTube.