Rússia deve propor na ONU resolução que 'desaconselha' sanções unilaterais, diz Amorim

Celso Amorim (arquivo)
Image caption Amorim se reúne em NY com presidente iraniano

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta quarta-feira que a Rússia está estudando apresentar à ONU uma proposta de resolução “desaconselhando” sanções unilaterais contra países.

Segundo Amorim, a proposta foi discutida em uma reunião do Bric (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China) na terça-feira, em Nova York.

"Creio que é intenção da Rússia apresentar (a resolução)", disse o ministro, que está na cidade para representar o Brasil na Assembleia Geral da ONU.

Amorim disse ainda que a proposta não é de proibir as sanções, e sim "desaconselhar".

"(Desaconselhar) é um termo provavelmente muito mais fraco do que proibir, porque não há possibilidade legal de proibir", afirmou.

"Mas (a Rússia deve apresentar a proposta) comentando que não é conveniente, sobretudo um assunto que esteja sendo objeto de análise do Conselho (de Segurança), ser objeto de sanções unilaterais", disse.

"Senão, para que serve o Conselho de Segurança, se tudo pode ser resolvido unilateralmente?"

Irã

O chanceler, no entanto, afirmou que o Brasil ainda precisa analisar a redação da proposta.

"Não é uma iniciativa brasileira. Em princípio, nós não temos dificuldade com isso, mas é preciso ver a redação (da proposta russa)", disse.

No fim da tarde, o ministro se reúne com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

O Irã é alvo de sanções unilaterais por parte dos Estados Unidos e da União Europeia, por conta de seu programa nuclear.

Essas medidas unilaterais foram anunciadas depois de o Conselho de Segurança da ONU ter aprovado, em junho, uma quarta rodada de sanções contra o Irã.

O Brasil votou contra as sanções da ONU. Pouco antes, o país havia obtido, ao lado da Turquia, um acordo com o Irã, na tentativa de resolver a questão nuclear sem a necessidade de sanções.

O acordo, no entanto, foi visto com desconfiança por parte da comunidade internacional.

As sanções buscam forçar o governo iraniano a interromper o processo de enriquecimento de urânio, por temor de que o país esteja secretamente tentando desenvolver armas nucleares.

O Irã nega essas alegações e diz que seu programa nuclear tem fins pacíficos.

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