Diplomatas dos EUA se retiram durante discurso de Ahmadinejad na ONU

Mahmoud Ahmadinejad durante pronunciamento na ONU
Image caption Ahmadinejad sugeriu 'conspiração americana' no 11 de Setembro

Diplomatas dos Estados Unidos e de outros países se retiraram do debate na Assembleia Geral da ONU nesta quinta-feira, depois de o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ter sugerido em um discurso que os ataques de 11 de setembro de 2001 possam ter sido uma conspiração americana.

Em seu pronunciamento na 65ª Sessão da Assembleia Geral da ONU, em Nova York - local dos ataques de nove anos atrás -, Ahmadinejad disse que uma das teorias sobre o atentado é de que "alguns setores dentro do governo americano orquestraram o ataque".

"A maioria do povo americano, assim como muitas nações e políticos em todo o mundo, concordam com essa visão", disse o líder iraniano.

Ahmadinejad disse que queria propor a criação de um "grupo independente" para analisar o episódio do 11 de Setembro e "garantir que visões diferentes não sejam banidas da discussão no futuro".

O presidente disse ainda que sente muito pelos quase 3 mil mortos nos atentados, mas comparou o número de vítimas com os "centenas de milhares de mortos e milhões de feridos" nas guerras no Iraque e no Afeganistão.

Ahmadinejad também convidou especialistas, pesquisadores e institutos de pesquisas a participar de um encontro que o Irã vai promover para analisar o terrorismo e as maneiras de enfrentar o problema.

Programa nuclear

Antes mesmo da retirada das delegações em protesto, o discurso do líder iraniano estava um pouco esvaziado, já que muitas delegações participavam de uma reunião de cúpula no Conselho de Segurança, realizada no mesmo horário, para discutir o papel do órgão na manutenção da segurança e da paz mundial.

A presença de Ahmadinejad também provocou alguns protestos nas ruas próximas a ONU.

Em seu discurso, o presidente disse que seu país está pronto para voltar negociar seu programa nuclear. "O Irã sempre esteve pronto para o diálogo baseado no respeito e na Justiça", afirmou.

Pela manhã, o presidente americano, Barack Obama havia dito que os Estados Unidos e a comunidade internacional buscam uma solução para as diferenças com o Irã e que "a porta da diplomacia permanece aberta, caso o Irã decida atravessá-la".

Na quarta-feira, as potências que discutem a questão nuclear iraniana, reunidas no grupo chamado P5+1, já haviam divulgado uma declaração conjunta afirmando que quer o Irã de volta à mesa de negociações. No entanto, o grupo disse que não pretende suspender as sanções contra o país até que Teerã prove que seu programa nuclear é pacífico.

Ahmadinejad disse que aqueles que tratam a questão com "intimidações e sanções" estão destruindo "o que resta de credibilidade no Conselho de Segurança".

Acordo

A questão nuclear iraniana tem sido tema de vários encontros bilaterais em Nova York.

O Irã é alvo de sanções aprovadas pelo Conselho de Segurança para pressionar o país a interromper seu programa de enriquecimento de urânio. A quarta rodada de sanções foi aprovada em junho deste ano, apesar de voto contrário do Brasil.

Em maio, Brasil e Turquia haviam obtido um acordo com Teerã, na tentativa de evitar as sanções e buscar uma solução negociada para a questão.

O acordo, porém, foi rejeitado pelos Estados Unidos e seus aliados, que temem que o Irã planeje secretamente desenvolver armas nucleares.

Nesta quinta-feira, Ahmadinejad disse que o acordo ainda é válido e era resultado da "admirável boa vontade dos governos do Brasil e da Turquia".

Na quarta-feira, o presidente iraniano se reuniu com o chanceler brasileiro a portas fechadas. Em seu discurso na abertura da Assembleia Geral, pela manhã, Amorim já havia defendido o acordo obtido pelo Brasil.

"A despeito das sanções, ainda temos esperança de que a lógica do diálogo e do entendimento prevaleça", disse o ministro.

O presidente iraniano voltou a afirmar que o programa nuclear de seu país é pacífico e criticou as potências nucleares que proíbem outras nações de desenvolver esse tipo de energia, ao mesmo tempo que mantêm e aumentam seus arsenais.

Ahmadinejad disse que 2011 deve ser o ano do desarmamento nuclear e da energia nuclear para todos, e armas nucleares para ninguém.

O líder iraniano disse ainda que o poder de veto no Conselho de Segurança deve ser revogado e que a Assembleia Geral deveria ser a mais alta instância na ONU.

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