Greve contra reforma da Previdência volta a paralisar a França

Greve na França
Image caption Além do sistema de transporte, greve afetou escolas e correios

A França viveu nesta quinta-feira a quarta greve do ano contra a reforma da Previdência, que prevê aumentar de 60 para 62 anos a idade mínima para aposentadoria.

Como as mudanças na Previdência já foram aprovadas pelos deputados franceses no último dia 15, a greve desta quinta-feira tinha como objetivo manter os protestos, já que o texto da reforma começará a ser discutido no Senado a partir de 5 de outubro.

Apesar do novo protesto, o governo francês vem reiterando que não vai recuar em relação ao elemento central da reforma, o aumento da idade mínima para a aposentadoria.

"A reforma vai ser feita. Há uma desaceleração incontestável da mobilização", declarou o ministro do Trabalho, Eric Woerth.

"O fato de que o governo escolheu minimizar a greve de 23 de setembro significa claramente que novas concessões são pouco prováveis. Nicolas Sarkozy parece convencido de que ele sairá vitorioso dessa batalha de forças, reduzida a um ritual sindical inevitável diante de qualquer reforma importante", escreve o jornal Le Monde em seu site.

A popularidade de Sarkozy vem despencando em todas as pesquisas de opinião. Uma sondagem do instituto Ifop para o Journal du Dimanche, publicada no último domingo, revelou que apenas 32% dos franceses aprovam o presidente, uma queda de quatro pontos em relação à pesquisa do mês anterior.

'Redução'

O governo francês apostou no fato de que a aprovação do texto pelos deputados provocaria uma diminuição no número de manifestantes nesta quinta e afirmou que houve uma "redução considerável" em relação às manifestações realizadas em 7 de setembro.

A declaração acirrou a atual guerra de números entre o governo e os sindicatos. De acordo com o Ministério do Interior, os 231 protestos em diversas cidades do país reuniram 997 mil participantes nesta quinta, menos do que o 1,1 milhão da última mobilização, em 7 de setembro.

Já os sindicatos estimam que as manifestações desta quinta foram maiores e reuniram 3 milhões de pessoas, contra 2,7 milhões no início do mês. Mesmo com números divergentes dos divulgados pelo governo, os sindicatos reconhecem que o total de grevistas nesta quinta foi menor do que em 7 de setembro.

Segundo o governo, a paralisação no funcionalismo público em geral atingiu 21,4% (seis pontos percentuais a menos do na greve anterior). No caso dos ferroviários, 37% fizeram greve (também seis pontos a menos) e, dos professores, 25,8% (contra 28,2% em 7 de setembro).

Promessas da oposição

As passeatas também tiveram a participação dos partidos de esquerda, da oposição. Os socialistas prometem revogar o aumento da idade para aposentadoria se vencerem as eleições presidenciais em 2012.

A greve desta quinta-feira afetou diversos setores, como escolas, transportes e correios. A primeira paralisação acompanhada de passeatas ocorreu em março, a segunda, em junho e duas foram realizadas neste mês de setembro.

A novidade nos protestos desta quinta foi a presença maior de jovens e estudantes nos protestos. Nesta sexta, as centrais sindicais se reunirão para decidir a eventual realização de novos protestos em breve.

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