Paz com o Irã passa por acordo feito por Brasil e Turquia, diz Amorim

Celso Amorim na ONU
Image caption Fala de Ahmadinejad não impede diálogo de paz, diz chanceler

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta sexta-feira que se os países que negociam a questão nuclear iraniana quiserem a paz, terão de usar o acordo intermediado pelo Brasil e pela Turquia com o Irã.

"Se quiserem fazer a paz, vão ter que usar a Declaração de Teerã. Se eles vão acrescentar alguma coisa ou não, isso é uma coisa que a gente sabia que ocorreria de qualquer maneira na mesa de negociação", disse o ministro em Nova York, onde participa da 65ª Sessão da Assembleia Geral da ONU.

O acordo foi fechado em maio, mas rejeitado pelos Estados Unidos e seus aliados. Logo depois, apesar de voto contrário do Brasil, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma quarta rodada de sanções contra o Irã.

O Brasil se opõe às sanções, considerando-as contraproducentes para dissuadir o regime persa de seu programa nuclear. Teerã afirma que, apesar das desconfianças do Ocidente, o programa tem fins pacíficos.

Na quinta-feira, no discurso de abertura da assembleia, Amorim já havia mencionado a Declaração de Teerã.

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, também disse em seu pronunciamento que o acordo permanece válido.

Participação brasileira

"Estou muito animado pelo que vejo os outros falando, no grupo do P5+1, quando falam em um acordo para a troca (de urânio) que seja revisado. Muito bem. É como eu já disse, nós não vamos cobrar copyright", disse Amorim.

Na quarta-feira, o grupo chamado P5+1, formado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, China e Rússia) e a Alemanha, divulgaram uma declaração conjunta em que afirmam querer uma solução negociada para a questão e o Irã de volta à mesa de negociações.

O Brasil não faz parte do P5+1 e não foi chamado a participar dessas negociações.

"Se quiserem nos chamar, chamam. Se não quiserem chamar, não tem nenhum problema", disse Amorim. "Nós quisemos contribuir para a paz e acho que estamos contribuindo para a paz. Sem cobrar direito autoral."

Discurso

Amorim disse ainda que o polêmico discurso proferido por Ahmadinejad na Assembleia Geral não impede a negociação.

Em seu pronunciamento, o presidente iraniano sugeriu que os ataques de 11 de setembro de 2001 pudessem ter sido uma conspiração do governo americano. Em protesto, diplomatas dos Estados Unidos e de outros países se retiraram do recinto.

"Tem de levar em conta que essas coisas ocorrem, essas expressões retóricas com as quais obviamente nós não concordamos. Mas isso não impede que a gente continue trabalhando pela paz", disse Amorim.

"Agora, seguramente, ele (Ahmadinejad) deve ter obtido algum dos objetivos, está na primeira página de vários jornais aqui nos Estados Unidos e na Inglaterra", afirmou.

'Aberto ao diálogo'

Apesar da retórica polêmica em seu discurso, Ahmadinejad disse, em entrevista coletiva em Nova York nesta sexta-feira, que seu país está aberto ao diálogo quanto ao programa nuclear.

O presidente iraniano afirmou que a chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, deveria contatar seu governo para agendar uma data para novas negociações do P5+1, no próximo mês.

“Nós estamos sempre abertos para uma troca e esperamos que possamos organizar as negociações com o P5 +1 para outubro”, disse.

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