Abbas: Israel deve escolher entre paz e construção de assentamentos

Mahmoud Abbas durante pronunciamento na Assembleia Geral da ONU
Image caption Em seu discurso, Abbas falou sobre os problemas enfrentados pelos palestinos

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, disse neste sábado em um discurso na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, que os palestinos estão prontos para um acordo de paz justo e abrangente com Israel.

"Nossas mãos feridas ainda são capazes de levar o ramo de oliveira dos escombros das árvores que a ocupação arranca todos os dias", afirmou.

No entanto, durante o discurso, Abbas afirmou que Israel precisa escolher entre a paz e a continuidade da construção de assentamentos, e citou inclusive a "necessidade de um congelamento das atividades (relativas a) assentamentos".

Para Abbas, os palestinos enfrentam "problemas perigosos que continuam empurrando-os para a violência e o conflito".

"Este é o resultado da mentalidade de expansão e dominação que ainda controla a ideologia e políticas de Israel, a força de ocupação", afirmou.

As negociações de paz entre palestinos e israelenses foram retomadas em setembro, mediadas pelos Estados Unidos, depois de uma interrupção de 20 meses.

Mas os palestinos já ameaçaram sair da negociação a não ser que Israel estenda o prazo de congelamento na construção de assentamentos na Cisjordânia. Este prazo de dez meses deve terminar neste domingo.

Até o momento Israel se recusou a estender o prazo, afirmando que a construção de assentamentos não impede as negociações de paz.

De acordo com a correspondente da BBC em Nova York Bridget Kendall, há indicações que uma negociação frenética ainda está ocorrendo nos bastidores para evitar que os palestinos se retirem das negociações.

Faixa de Gaza

Em seu discurso, Abbas também afirmou que os palestinos querem colaborar com os esforços do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para continuar com as negociações de paz.

Mas, ele também citou outros problemas dos palestinos com Israel, incluindo o bloqueio à Faixa de Gaza e os milhares de palestinos que ainda estão presos pelos israelenses.

"O bloqueio israelense impede que nosso povo na Faixa de Gaza reconstrua suas casas, apesar do fato de a comunidade internacional de doadores ter prometido aproximadamente US$ 5 bilhões para financiar a reconstrução."

"Este bloqueio contra a Faixa de Gaza deve ser suspenso imediata e completamente", afirmou.

As negociações diretas entre israelenses e palestinos foram retomadas em Washington no inicio deste mês, quase dois anos após terem sido suspensas em consequência da ofensiva de Israel à Faixa de Gaza, ocorrida em dezembro de 2008 e janeiro de 2009.

O Quarteto – grupo formado pelos Estados Unidos, Organização das Nações Unidas (ONU), Rússia e União Europeia – que tem um papel fundamental na intermediação do processo de paz no Oriente Médio, fez um apelo a Israel para que estenda o prazo do congelamento.

Na Cisjordânia – região reivindicada pelos palestinos para fazer parte de seu futuro Estado – existem mais de 150 assentamentos nos quais moram cerca de 300 mil colonos israelenses.

Outros 200 mil israelenses moram na parte oriental de Jerusalém, na qual os palestinos pretendem fundar sua capital.

O congelamento decretado pelo governo israelense se refere apenas à Cisjordânia e não inclui a construção em Jerusalém Oriental, anexada por Israel depois da guerra de 1967.

O Quarteto também pede que ambos os lados (israelenses e palestinos) evitem atos de provocação e pronunciamentos que possam acirrar os ânimos.

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