Justiça chilena congela bens de companhia dona de mina onde ocorreu desabamento

Mina onde estão presos 33 trabalhadores, no Chile
Image caption Operação de resgate deve se somar às dívidas da companhia dona da mina San José

A Justiça do Chile determinou o congelamento dos bens da companhia dona da mina no norte do país onde estão presos 33 trabalhadores desde um desabamento ocorrido no dia 5 de agosto.

A medida foi pedida pelo governo chileno, que quer que a Companhia de Mineração San Esteban pague pelos custos da operação de resgate dos mineiros.

De acordo com o correspondente da BBC em Santiago Gideon Long, o juiz ordenou que todos os bens da mineradora fossem congelados, incluindo máquinas, veículos e os direitos de exploração da mina San José, onde o principal acesso ao túnel da mina de cobre e ouro desabou há mais de 50 dias, soterrando os trabalhadores.

No mês passado um outro juiz já tinha ordenado o congelamento parcial dos bens da companhia para que a San Esteban possa pagar as indenizações exigidas pelas famílias dos mineiros presos.

A companhia já estava com problemas financeiros antes mesmo do incidente e teria uma dívida de mais de US$ 10 milhões. E a operação de resgate deve adicionar mais alguns milhões de dólares às dívidas da San Esteban.

Na quinta-feira um especialista em falências foi designado para examinar o estado financeiro da mineradora. Ele tem um prazo de 30 dias para dar informações aos credores da companhia, que então vão decidir se vão tentar manter a mineradora funcionando ou declarar falência.

Resgate

A operação de resgate continua na mina San José continua apesar de uma das perfuradoras, a Schramm T-130 ter apresentado um "problema técnico", forçando uma paralisação temporária a uma profundidade de 143 metros.

As autoridades afirmam que parte do martelo da perfuradora quebrou, mas esperam que a perfuração da rocha seja retomada em breve.

Rene Aguilar, um dos engenheiros responsáveis pela operação de resgate, afirmou que os planos para a parte final da operação estão progredindo.

Aguilar acrescentou que duas cápsulas especialmente projetadas para o resgate serão usadas para levar os mineiros para segurança da superfície. Os engenheiros estimam que serão necessários entre 20 e 30 minutos para levar cada um dos 33 mineiros pelos quase 700 metros entre o abrigo onde eles estão e a superfície.

Mas, ao acrescentar o tempo necessário para baixar a cápsula e para que um homem entre na estrutura estreita, que parece uma gaiola, os responsáveis pelo resgate calculam que, para cada um dos homens serão necessários 90 minutos.

De acordo com Aguilar, o resgate deve ser feito no começo de novembro.

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