FT diz que poder financeiro do Brasil deve facilitar financiamento do déficit

Plataforma de petróleo
Image caption Possibilidade de lucros com o pré-sal é atraente para investidores

Um editorial do jornal britânico Financial Times desta terça-feira diz que a disposição de aplicar em papéis brasileiros que vem sendo demonstrada pelos investidores internacionais tem ajudado o Brasil a financiar o déficit nas contas externas.

O editorial ressalta o bom momento vivido pela economia brasileira, dizendo que cada vez mais os grandes mercados internacionais deverão sentir o impacto da presença financeira do Brasil.

Segundo o texto, uma prova dessa força global foi o sucesso da capitalização da Petrobras, que na semana passada conseguiu levantar US$ 67 bilhões, “a maior venda de ações da história, num valor superior ao Produto Interno Bruto de países de economia de tamanho razoável, como o Iraque”, acrescenta o editorial.

“Globalmente, a venda de ações da Petrobras significa mais do que um negócio de grande vulto. É uma prova do crescimento da presença financeira internacional do Brasil,” diz o FT.

O editorial comenta ainda a disposição dos investidores internacionais em continuar aplicando em papéis brasileiros.

Exatamente o que o Brasil precisa para garantir o financiamento do seu déficit em conta corrente de cerca de US$50 bilhões por ano, segundo o jornal.

Os brasileiros estão chegando

O Financial Times comenta que o mercado financeiro de Londres foi enormemente beneficiado pela decisão do BNDES de basear na capital britânica seu principal escritório no exterior.

Segundo o FT, a facilidade de promover negócios no eixo Sul-Sul por conta de um fuso horário favorável, pesou na decisão do BNDES de escolher Londres.

“A City londrina não precisa entrar em pânico com a ameaça dos fundos de hedge de se retirar de Londres em busca de locais com menores impostos. Os brasileiros estão chegando”, diz o FT.

O jornal antecipa um aumento do movimento financeiro por conta de uma presença brasileira maior no mercado londrino.

Câmbio

A edição desta terça-feira do maior jornal financeiro europeu também dá grande destaque às declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega de que o Brasil está em sinal de alerta em relação a uma “guerra cambial global”, que já estaria ocorrendo.

Mantega disse que governos de vários países estão intervindo no mercado cambial para manter baixo o valor de suas moedas. O ministro acrescentou que isso tem prejudicado o real o que em consequência diminui a competitividade das exportações brasileiras.

Em matéria de capa, o jornal diz que ao fazer esta declaração, o ministro admite publicamente o que se tem dito em off: que um crescente número de países tenta, através do enfraquecimento de suas moedas, estimular o crescimento de suas economias.

A moeda mais fraca barateia o preço dos produtos no mercado internacional favorecendo as exportações e encarecendo as importações.

O Financial Times diz que a estratégia pode ser uma forma de promover um rápido crescimento econômico em países que tenham sido afetados pela crise global.

O jornal lembra que o dólar perdeu 25% de seu valor em relação ao real desde o início de 2009.

A reportagem acrescenta que apesar das fortes declarações feitas por Guido Mantega, nas últimas semanas o Banco Central do Brasil aumentou a compra da moeda americana no mercado para evitar uma supervalorização do real.

“Nas últimas duas semanas o BC tem comprado cerca de US$ 1 bilhão por dia, um volume cerca de dez vezes mais do que vinha fazendo, principalmente como forma de absorver os dólares que entraram no país atraídos pela oferta de ações feita pela Petrobras."

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