Greve geral tem adesão de 70% na Espanha, dizem sindicatos

Manifestantes e policiais no centro de Madri, Espanha (Reuters)
Image caption Segundo sindicatos, 70% dos trabalhadores pararam na Espanha

Sindicatos da Espanha anunciaram que 70% dos trabalhadores do país aderiram nesta quarta-feira a uma greve geral que está afetando fábricas e serviços públicos.

O protesto é a resposta dos sindicatos ao pacote de reformas trabalhistas, aprovado pelo governo socialista do primeiro-ministro, José Luis Rodriguez Zapatero, no passado mês de junho.

A greve geral, a sétima paralisação da história da Espanha, começou à meia-noite e afeta principalmente o setor industrial.

Nos polos da Catalunha e Galícia, onde funcionam a maioria de montadoras, a greve alcança quase os 100% de adesão, de acordo com as centrais sindicais Comissões Operárias e União Geral dos Trabalhadores.

Os sindicatos também estimam que a paralisação tenha afetado 70% dos serviços de transporte público e 80% dos voos nos aeroportos internacionais de Madri e Barcelona. Apenas 32% das escolas estariam funcionando normalmente.

‘Normalidade’

O pacote de Zapatero, anunciado para combater a crise econômica, prevê, entre outros pontos, a redução dos direitos dos trabalhadores em novos contratos, mudanças para permitir aos empregadores realizar demissões mais facilmente e a reforma da previdência, alterando a idade mínima de aposentadoria dos atuais 65 anos para 67 anos.

Os sindicalistas dizem que greve é "a mais necessária entre todas as convocadas até agora na história da Espanha" e tem o objetivo de obrigar o governo a voltar à mesa de negociações e eliminar o pacote.

Já o presidente da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais, Gerardo Díaz Ferrán, definiu a greve como "inútil e lesiva para o país".

O representante dos empresários afirmou que a paralisação não só não ajuda em nada a uma nação com 20,3% da população ativa desempregada, como "é um problema que pagaremos todos os espanhóis".

O governo preferiu não fazer muitos comentários nem dar cifras sobre a greve.

Na chegada ao Parlamento, na manhã desta quarta-feira, Zapatero disse apenas que "o governo trabalha para garantir o direito ao trabalho e o direito à greve".

Já o ministro do Trabalho, Celestino Corbacho, afirmou que a paralisação geral acontecia "com normalidade e sem incidentes relevantes", embora as centrais sindicais tenham denunciado ao menos 30 detenções de grevistas que tentavam bloquear ruas em Madri.

Além da Espanha, trabalhadores de outros países também protestam nesta quarta-feira contra medidas tomadas pelos governos para combater a crise econômica.

Foram registradas manifestações nas capitais da Bélgica, Portugal, Itália, Letônia, Lituânia, República Checa, Chipre, Sérvia, Romênia, Polônia, Irlanda e França.

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