Ministros pedem demissão de chanceler israelense após discurso na ONU

Avigdor Lieberman na ONU (foto de arquivo)
Image caption Lieberman afirmou que acordo de paz com palestinos levará décadas

Ministros do Partido Trabalhista pediram a demissão do ministro das Relações Exteriores e líder do partido de extrema-direita Israel Beitenu, Avigdor Lieberman, depois que ele discursou na ONU expressando posições de seu partido e contradizendo a posição oficial do governo israelense.

O ministro Avishai Braverman acusou Lieberman de "subversão" e pediu ao premiê israelense, Binyamin Netanyahu, que ele seja imediatamente afastado do cargo de chanceler.

"Seu discurso alucinado foi bem planejado, com o objetivo de acirrar os ânimos e sabotar o processo de paz", afirmou Braverman.

Outro ministro do Partido Trabalhista, Itzhak Hertzog, disse esperar que os avanços do processo de negociação de paz com os palestinos levem a uma "mudança na composição do governo o mais rápido possível", em uma referência à possibilidade de Netanyahu afastar Lieberman e seu partido da coalizão governamental e de colocar, em seu lugar, o partido de centro Kadima, liderado pela ex-chanceler Tzipi Livni.

'Impraticável'

Em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, na terça-feira, Lieberman afirmou que um acordo de paz com os palestinos dentro de um ano é "impraticável" e disse que a paz talvez seja possível em "algumas décadas".

Lieberman defendeu a polêmica ideia de transferir cidadãos palestinos israelenses a um futuro Estado palestino em troca de terras que possibilitem a criação deste novo Estado, e que os assentamentos israelenses nos territórios ocupados sejam anexados a Israel.

As posições de Lieberman contradizem a posição oficial do primeiro-ministro Netanyahu, que afirma querer alcançar um acordo de paz com os palestinos, baseado na solução de dois Estados, dentro de um ano.

A exclusão dos povoados árabes de Israel e a inclusão dos assentamentos é uma proposta do partido de Lieberman, Israel Beitenu, e não do governo israelense.

O chanceler israelense se encontra em uma posição delicada desde que assumiu o cargo.

Ele próprio anunciou que não vai participar das negociações de paz, pois mora em um assentamento e sua participação poderia incorrer em uma "contradição de interesses".

Lieberman mora no assentamento de Nokdim, a sudeste da cidade palestina de Belém, na Cisjordânia.

Analistas

Analistas locais também pediram a demissão do chanceler.

Alon Liel, ex-diretor geral do ministério das Relações Exteriores, disse ao site de noticias Ynet que ficou "boquiaberto" quando ouviu o discurso do chanceler na ONU.

"Ele (Lieberman) ainda não percebeu que existe uma diferença entre ser líder do partido Israel Beitenu e ser chanceler", disse Liel. "Depois de um discurso como esse, Lieberman tem que sair."

"Como ex-diretor do Ministério, posso afirmar que este é o pior momento da diplomacia israelense, sendo conduzida por um homem que cospe, em público, na cara do primeiro-ministro de Israel."

A analista política do canal estatal da TV israelense, Ayala Hasson, disse que o discurso de Lieberman faz parte de sua campanha, para se colocar como o "verdadeiro líder da direita em Israel".

O primeiro-ministro Netanyahu declarou que o discurso de Lieberman na Assembleia Geral da ONU "não foi coordenado com seu gabinete".

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