Em comício final, Serra pede que aliados evitem férias após 1º turno

Presidenciável disse que não tratou de apoios com outros candidatos. Foto: Andre Penner/AP
Image caption Candidato do PSDB aposta em votos dos indecisos para ir ao 2º turno

No seu último comício de campanha, realizado nessa quarta-feira em São Paulo, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, pediu os votos dos indecisos e disse esperar que nenhum de seus aliados "tire férias" depois do primeiro turno.

"Na segunda-feira, nenhum eleito ou não-eleito vai viajar. Descanso da campanha, só em novembro, porque nós vamos ter outubro inteiro para fazer campanha pelo Brasil", disse o tucano no evento, que ocorreu no bairro da Mooca (zona leste da capital paulista).

Falando a jornalistas antes do comício, Serra negou que já tivesse conversado com a candidata do PV, Marina Silva, em busca de apoio para um eventual segundo turno contra Dilma Rousseff (PT).

"Todos os candidatos estão concorrendo com chances a ir pro segundo turno", disse o tucano. "Depois que isso ficar definido, pode haver conversas entre candidatos. Mas, antes disso, seria inócuo e desrespeitoso".

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O candidato também se recusou a comentar os resultados das últimas pesquisas eleitorais. O Ibope e o Vox Populi indicam vitória de Dilma Rousseff já no primeiro turno, enquanto o Datafolha aponta uma chance da disputa ficar entre a petista e o tucano. Indecisos

Em seu discurso, Serra disse que espera convencer os eleitores indecisos para chegar ao segundo turno. O tucano pediu aos presentes que conseguissem, até domingo, "pelo menos mais um, dois, três votos" para atingir seu objetivo.

Serra também se referiu ao fato do bairro escolhido para receber o comício ser o mesmo no qual passou sua infância. Recordando trajetos de bondes e histórias de seu pai, o candidato disse que a Mooca era uma área de operários e de pessoas de fora de São Paulo. "Aqui foi onde chegaram os primeiros migrantes do Nordeste (...) e foi com eles que comecei a ter rapidamente uma noção do que era o Brasil".

"Governo sem escândalos"

O candidato disse que, caso seja eleito, montará um governo "ético e sem escândalos", mas não fez referência direta às recentes denúncias de corrupção envolvendo integrantes da administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Nós podemos ter um governo ético, um governo voltado para as pessoas, e não voltado para partidos, para patotas, para grupos, não voltado para companheiros (...) um governo sério, sem escândalos", afirmou.

Serra reforçou ainda suas promessas de reajustar em 10% a aposentadoria do INSS e de elevar o salário mínimo a R$ 600.

A maioria dos políticos presentes no comício era de lideranças locais do PSDB, como o candidato ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, o atual governador, Alberto Goldman, e o candidato ao Senado Aloysio Nunes Ferreira. As principais figuras de partidos aliados eram o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e o deputado federal e presidente nacional do PPS, Roberto Freire.

As ausências mais notadas foram as do candidato a vice na chapa de Serra, Indio da Costa (DEM), do presidente nacional do PSDB e coordenador da campanha presidencial tucana, senador Sérgio Guerra (PE), e do ex-governador de Minas Gerais e candidato ao Senado Aécio Neves (PSDB).

A casa noturna no qual foi realizado o comício tucano não lotou, recebendo cerca de 1,5 mil pessoas. A maior concentração de público ocorreu na frente do palanque, onde boa parte das pessoas portava bandeiras e vestia camisetas identificadas com os candidatos do PSDB.

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