Para brasilianista, avanço econômico do Brasil não se traduz em sucesso diplomático

Fechamento de acordo Brasil, Turquia e Irã, em Teerã (arquivo)
Image caption Para Kenneth Maxwell intervenções diplomáticas do Brasil são 'problemáticas'

O progresso brasileiro no campo econômico – que faz o país seguir na direção de se tornar desenvolvido – não se traduz em sucesso em todas as ações diplomáticas do Brasil, na avaliação do historiador britânico Kenneth Maxwell, um dos mais respeitados brasilianistas do mundo.

Para Maxwell, "a emergência do Brasil como uma nação 'desenvolvida' e seu papel cada vez mais ativo em questões internacionais são questões essencialmente diferentes".

"Não há dúvidas de que, em comércio ou questões econômicas mais gerais e em termos de sua estabilidade econômica e política, o Brasil se tornou um grande ator internacional", observa o historiador, diretor do Programa de Estudos Brasileiros da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

Ele cita, como exemplo, que o país desenvolveu e diversificou seu engajamento com a Ásia em particular, o que transformou a China em sua maior parceira comercial, e que vem tentando exercer um papel maior na África.

"O Brasil entrou na recente recessão global mais tarde e saiu dela mais cedo. Assim, o reconhecimento do novo papel do Brasil é claramente justificado e reflete a força real da dimensão, da riqueza, do crescimento econômico, de sua agricultura, de seus recursos minerais e do empreendedorismo brasileiros", afirma o brasilianista.

Para ele, no entanto, as intervenções políticas e diplomáticas brasileiras têm sido "mais problemáticas".

"Os conflitos entre as aspirações ideológicas e a prática do dia-a-dia pode levar às vezes a becos sem saída embaraçosos”, afirma.

Ele cita o acordo nuclear promovido por Brasil e Turquia com o Irã como exemplo, dizendo que "isso não significa que o Irã vai concordar com as intervenções do presidente Lula em questões de direitos humanos".

Outro exemplo, em sua opinião, foi o papel "ineficaz" que o Brasil teve durante a crise política em Honduras no ano passado.

Ele diz ainda que "as relações do Brasil com seus vizinhos imediatos no hemisfério ocidental permanecem uma mistura de necessidade e de ressentimento hispano-americano velado".

"Parte disso é provavelmente inevitável, mas isso leva à crescente necessidade de políticas hábeis e consistentes, e ainda não está claro se (as políticas) evoluíram", diz.

Para Maxwell, outro problema é que "a política no Brasil ainda permanece extremamente provinciana". "Da mesma maneira que a política nos Estados Unidos também", observa.

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