América Latina

Lula condena tentativa de 'golpe' no Equador e chama ação de 'burrice'

Para Lula, ação no Equador é 'condenada por todos os democratas'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta sexta-feira a rebelião ocorrida no Equador na quinta-feira e disse que “os golpistas já se deram conta da burrice que fizeram tentando dar golpe no (presidente) Rafael Correa”.

Em entrevista coletiva em São Bernardo do Campo, Lula declarou que as eleições brasileiras deste domingo serão uma “demonstração para qualquer golpista do Equador não pensar em derrubar um presidente eleito democraticamente”.

“Um presidente eleito precisa ser respeitado”, disse Lula.

A crise no Equador começou na manhã de quinta-feira, quando centenas de policiais foram às ruas e tomaram vários quartéis, entre eles o maior de Quito. O motivo foi um decreto, ratificado pelo Congresso Nacional, que acaba com os bônus de oficiais da polícia e das Forças Armadas.

As manifestações forçaram o governo a decretar estado de exceção no país, de duração de cinco dias.

Nesta sexta-feira, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, disse em reunião emergencial da Unasul (União de Nações Sul-Americanas) que a situação no Equador está “sob controle”, após conversar com Correa por telefone.

O Brasil foi representado na reunião pelo ministro interino das Relações Exteriores, o embaixador Antonio Patriota.

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Condenação

O presidente do Equador, Rafael Correa

Correa disse que foi vítima de tentativa de golpe de Estado

Para Lula, “o que aconteceu no Equador é condenado por todos os presidentes democratas do mundo”. “O Brasil e o Mercosul, o Brasil e a Unasul, todos nós vamos ajudar.”

“Esse tipo de tentativa de derrubar um presidente não é correta. Policiais jogarem bomba em um presidente é menos correto ainda”, afirmou, referindo-se ao momento em que Correa foi recebido a pedradas por manifestantes em um quartel de Quito.

Uma bomba de gás lacrimogêneo das forças de segurança equatorianas explodiu a poucos metros do presidente, que foi rapidamente retirado do local por seus guarda-costas e levado para um hospital.

Nesta sexta-feira, Correa declarou que a manifestação policial foi "uma tentativa de golpe de Estado fracassada, que só conseguiu fazer com que saíssemos mais fortalecidos", e que “não haverá perdão” para os organizadores do levante.

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Os manifestantes também ocuparam, por várias horas, o aeroporto internacional da cidade, que ficou fechado. Escolas e lojas foram fechadas e, de Guayaquil, a maior cidade do país e reduto da oposição a Correa, vieram notícias de saques e assaltos a bancos.

Gutiérrez

Correa culpou partidos de oposição pela crise e acusou o ex-presidente Lucio Gutiérrez de ser o articulador dos protestos da polícia.

"Os (agentes) de Lucio estavam infiltrados ali, incitando a violência", afirmou.

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Gutiérrez, que está em Brasília, deu entrevista ao jornal colombiano El Tiempo negando a sua participação nos acontecimentos. Ele disse que a crise era "um autogolpe de Correa para criar uma ditadura".

Na manhã desta sexta-feira, o comandante da Polícia do Equador, Freddy Martínez, renunciou. Ele havia tentado deter os protestos dos policiais no início do levante e pediu diálogo para encontrar soluções para a crise.

Martínez disse à imprensa que receia ter havido infiltração de pessoas interessadas em desestabilizar a polícia.

Ele afirmou ainda que a polícia tem direito de fazer reclamações, mas "se equivocou no caminho", e justificou sua saída dizendo que "um comandante desrespeitado, maltratado e agredido por seus subalternos não pode ficar diante deles".

A Cruz Vermelha do Equador disse que duas pessoas morreram e mais de 70 ficaram feridas nos incidentes de quinta-feira.

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