Chanceleres da Unasul viajam a Quito para dar apoio a Correa

Manifestantes com cartazes em frente à embaixada equatoriana em Lima, no Peru
Image caption Crise no Equador assustou imigrantes do país em nações vizinhas

Ministros das Relações Exteriores dos países da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) embarcaram nesta sexta-feira para o Equador para manifestar apoio ao presidente equatoriano Rafael Correa um dia após uma violenta onda de protestos no país.

Os chanceleres de Argentina, Uruguai, Chile e Colômbia, além do ministro interino das Relações Exteriores brasileiro, Antonio Patriota, partiram de Buenos Aires – onde, na quinta-feira, presidentes da Unasul tiveram uma reunião de emergência - para a capital do Equador.

Os demais ministros embarcariam ainda nesta sexta-feira, segundo o Ministério das Relações Exteriores da Argentina.

“Para a Unasul, o que aconteceu no Equador foi uma tentativa de golpe, que falhou, mas a tentativa existiu”, disse o chanceler argentino, Hector Timerman, antes de embarcar.

Condenação

O encontro presidencial, na capital argentina, contou com a presença dos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, da Bolívia, Evo Morales, do Chile, Sebastián Piñera, do Uruguai, José Mujica, e do Peru, Alan García, além da anfitriã, a presidente argentina, Cristina Kirchner, e do secretário-geral da Unasul, o ex-presidente argentino Nestor Kirchner. O representante do Brasil foi Patriota e do Paraguai, o vice-chanceler, Jorge Lara Castro.

Na abertura da reunião, Cristina Kirchner afirmou que os presidentes tinham se “autoconvocado” para discutir a situação no Equador e apoiar o governo de Correa.

Após três horas de reunião, eles divulgaram um comunicado com seis tópicos, condenando “energicamente a tentativa de golpe de Estado e o posterior sequestro do presidente Rafael Correa”.

Na nota, eles afirmam também que esperam que os “responsáveis da tentativa golpista sejam julgados e condenados” e informam a decisão de adotar uma “cláusula democrática da Unasul”, na próxima reunião do grupo, dia 26 de novembro na Guiana.

Último a deixar Buenos Aires após a reunião, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse nesta sexta-feira, antes de embarcar para Caracas, que Correa “evitou até último momento um derramamento de sangue".

"Graças a Deus, à liderança do presidente Correa, dos equatorianos e dos militares, foi dado um basta à tentativa de golpe", afirmou. "Como soldado que sou, faço apelo aos militares do nosso continente que apoiem nosso povo" .

EUA

Os líderes da Venezuela e da Bolívia sugeriram que os Estados Unidos poderiam estar envolvidos na tentativa de desestabilizar o governo equatoriano.

“Temos que exigir que o governo dos Estados Unidos não continue metendo suas velhas mãos imperiais neste continente”, disse Chávez.

Por sua vez, Morales afirmou que ele, Chávez e Correa são acusados de “ditadores” pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, mas, disse, “é lá que planejam os golpes de Estado”.

Mais cedo, a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, assim como a OEA (Organização de Estados Americanos) e o líder espanhol, José Rodríguez Zapatero, entre outros, condenaram a “violência e ilegalidade” e expressaram “respaldo” a Correa.

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