Correa pede que população apoie polícia mas promete punição

Image caption Correa diz que semana foi a pior de seu governo

O presidente do Equador, Rafael Correa, pediu neste sábado que a população apoie a polícia do país, afirmando que os policiais que se rebelaram contra o governo teriam sido "usados por alguns maus elementos" para desestabilizar o país.

"Isso será investigado e sancionado. Mas atenção à cidadania, a continuar respaldando a polícia", disse Correa. "São 42 mil membros (da força policial) e a imensa maioria é de seres humanos extraordinários, que arriscam sua vida dia-a-dia por todos nós".

Discursando dentro da sede de governo, ao lado de ministros e representantes de organizações sociais, Correa disse que a instituição não poderia ser julgada por "algumas dezenas de criminosos", mas reiterou que buscará punição para os responsáveis pela rebelião, que levou seu governo a decretar estado de exceção no país na quinta-feira. O presidente afirmou que "perdão e esquecimento são iguais a injustiça".

Do lado de fora do palácio, centenas de pessoas escutavam com atenção o pronunciamento do presidente através de um telão, instalado na praça em frente à sede do governo.

"Queriam desestabilizar o governo e matar o presidente", disse à BBC Brasil o aposentado Marcelo Mercado. Com um galhardete estampado com a foto do presidente do Chile Salvador Allende, morto durante o golpe de Estado no Chile, em 1973.

Mercado disse acreditar que os policiais foram "utilizados" por policiais e militares "infiltrados pelo (ex-presidente) Lúcio Gutiérrez. Correa acusou Gutiérrez de estar por trás de uma tentativa de golpe contra seu governo. O ex-presidente do Equador, que está em Brasília para acompanhar as eleições presidenciais brasileiras, negou as acusações em entrevista à BBC Brasil, e afirmou ainda que não houve tentativa de golpe contra Correa.

Ao começar a discursar neste sábado, Correa descreveu a crise de quinta-feira, que terminou provocando a morte de ao menos oito pessoas e deixando mais de 200 feridas, afirmando: "Estou destroçado, foi a semana mais triste do meu governo".

O governo deu início na sexta-feira a uma reforma imediata do comando da polícia. O diretor Freddy Martinez renunciou ao cargo e outros cinco coronéis foram afastados. Quito continua parcialmente militarizada, com o Palácio de Carondelet, sede do governo, cercado por um cordão militar de pelo menos 300 efetivos, dia e noite.

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