Disputado por Serra e Dilma, PV decidirá apoio em convenção

Marina quer que movimentos sociais tenham voz no processo de decisão. Foto: AP
Image caption Candidata do PV teve 19,6 milhões de votos no primeiro turno da eleição

O partido de Marina Silva (PV), terceira colocada no primeiro turno da eleição presidencial, realizará uma convenção para decidir se apoia Dilma Rousseff (PT) ou José Serra (PSDB) na segunda fase do pleito.

Marina disse nesta segunda-feira, em São Paulo, que o objetivo deste processo é dar voz a todos os movimentos sociais que participaram de sua candidatura. A convenção deve ocorrer dentro de duas semanas.

Dilma e Serra disputam o apoio do PV e de Marina no segundo turno. No primeiro, a candidata verde teve 19,6 milhões de votos, ou 19,33% do total.

A petista ficou em primeiro, com 47,6 milhões de votos (46,9%). O tucano foi o segundo colocado, com 33,1 milhões (32,6%). Petista descarta "pressão"

Dilma afirmou nesta segunda-feira, em Brasília, que a busca do apoio do PV é uma de suas prioridades nesta segunda fase da campanha. No entanto, a candidata disse que os contatos serão feitos "sem pressão".

“Devagar, sem 'atravessar o samba', a gente vai estabelecer pontes e canais, de forma bastante respeitosa e sem nenhum tipo de pressão”, disse.

A ex-ministra afirmou que “representa melhor” o que os eleitores de Marina querem para o Brasil. “Nós achamos que somos capazes de mostrar isso a esse segmento da população”, disse.

Dilma alegou ainda que foi vítima de ilações e boatos na primeira fase da campanha e que responderá a isto "de forma sistemática e imediata", caso volte a ocorrer no segundo turno.

“Foi feita contra nós uma campanha perversa, com inverdades. Quem me acusava não aparecia de forma clara”, disse Dilma, referindo-se a comentários sobre sua posição religiosa, feitos principalmente na internet. Aliados da candidata avaliam que "boatos" fizeram a petista perder votos nas semanas que antecederam o primeiro turno, principalmente de eleitores evangélicos. Serra: "afinidade" com PV O candidato tucano também afirmou que existe “afinidade” entre seu partido e o PV. "Existem elementos para aproximação (com o PV) e espero sinceramente que ela aconteça", disse Serra em Belo Horizonte (MG), de onde acompanho o velório do ex-deputado Aécio Cunha, pai do ex-governador mineiro e senador eleito Aécio Neves (PSDB).

O presidenciável tucano disse que o PV o apoiou quando foi governador de São Paulo e prefeito da capital paulista, em uma parceria que, segundo ele, gerou o "projeto ambiental mais avançado do Brasil".

Pelo menos um integrante do PV já declarou apoio a Serra nesta segunda-feira: Fernando Gabeira, candidato derrotado ao governo do Rio, que esteve coligado com o PSDB no primeiro turno.

De luto pela morte do pai, Aécio Neves se comprometeu a colaborar com a campanha tucana no segundo turno: “Coloquei-me absolutamente à disposição dele (Serra) para atuar da forma que ele achar mais adequado.”

No domingo, Aécio elegeu-se senador e assistiu à vitória dos aliados Antonio Anastasia (PSDB) ao governo estadual e Itamar Franco (PPS) na disputa pela segunda cadeira no Senado. O PSDB avalia que a participação do ex-governador é crucial para que Serra melhore seu desempenho em Minas, o segundo maior colégio eleitoral do país. * Com reportagem de Fabrícia Peixoto, da BBC Brasil em Brasília, e João Fellet, enviado especial da BBC Brasil a Belo Horizonte

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