Equador amplia estado de exceção até a sexta-feira

Image caption O Exército passou a fazer a segurança do Congresso

O presidente do Equador, Rafael Correa, estendeu nesta terça-feira o decreto de estado de exceção em vigor no país desde a semana passada, quando integrantes da polícia realizaram violentos protestos, no que foi classificado pelo governo como uma tentativa de golpe de Estado.

Com a extensão da medida até o próximo dia 8 (sexta-feira), o Exército continuará a patrulhar as ruas da capital, Quito.

Após a revolta policial, o Congresso pediu ao Ministério da Defesa que a segurança do local fosse transferida aos militares.

Na última quinta-feira, policiais foram às ruas do país, tomaram o maior quartel de Quito e fecharam o aeroporto internacional da cidade, protestando contra um decreto aprovado pelo Congresso Nacional que, segundo representantes da categoria, elimina benefícios sociais e afeta salários.

As ações policiais levaram o governo a declarar estado de exceção e Correa sugeriu que o país estaria sofrendo tentativa de golpe de Estado.

Salário

Na segunda-feira o governo anunciou um aumento substancial de entre US$ 400 e US$ 570 (entre R$ 670 e R$ 955) aos integrantes da polícia e das Forças Armadas.

O governo ressaltou, no entanto, que o aumento já estava previsto e não teve ligação alguma com a revolta da semana passada.

"É lamentável que as datas tenham coincidido, mas este é um assunto que já estava definido", disse o ministro da Defesa, Javier Ponce.

Como exemplo, Ponce disse que um capitão que ganha salário mensal de US$ 1,6 mil passará a receber US$ 2,14 mil.

Investigação

A Justiça do país disse que avançam as investigações para apurar responsabilidade nos eventos da semana passada.

No sábado, três coronéis da polícia acusados pelo governo de tentar assassinar o presidente Rafael Correa durante a rebelião policial foram soltos após permanecerem uma noite detidos.

Leia também na BBC Brasil: Coronéis acusados de complô contra Correa são soltos no Equador

Os coronéis, acusados de negligência, não podem deixar o país e devem se apresentar à Justiça quinzenalmente.

O presidente Correa disse que "não haverá perdão nem esquecimento" para os responsáveis pela rebelião.

Ao mesmo tempo, o líder equatoriano, pediu à população para que "respalde" a polícia, ao afirmar que a maioria dos insurgentes foi "usada" por "uma dúzia de maus elementos" para desestabilizar o país.

Correa afirma que a rebelião policial era parte de um plano para gerar caos no país, desestabilizar seu governo, a ponto de provocar uma guerra civil.

Ele acusa ao ex-presidente Lúcio Gutierrez de estar por trás da crise, mas, em entrevista à BBC Brasil, o ex-líder negou qualquer participação nos violentos protestos da semana passada.

Leia também na BBC Brasil: Lucio Gutiérrez nega ser o mentor dos protestos no Equador

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