Presidente de empresa é detido por vazamento tóxico na Hungria

Lama na Hungria
Image caption Especialistas avaliam riscos que lama pode trazer à saúde da população

O presidente da empresa MAL Hungarian Aluminium Production and Trade Company, responsável pelo vazamento de lama tóxica que matou oito pessoas e ameaça causar um desastre ambiental grave na Europa, foi detido para interrogatório.

A detenção de Zoltan Bakonyi foi anunciada nesta segunda-feira pelo primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban.

Orban disse também que a companhia será temporariamente nacionalizada e que os responsáveis pelo desastre deveriam arcar com as consequências financeiras - não o contribuinte húngaro.

O vazamento, perto de Ajka, no oeste do país, aconteceu no dia 4 de outrubro.

Além das vítimas fatais, cerca de 150 pessoas ficaram feridas quando 700 mil metros cúbicos de lama tóxica - material resultante do processo de fabricação de alumina - vazaram de um reservatório.

Os resíduos cobriram uma área de 40 km2, e a contaminação se espalhou pela rede fluvial da região.

Ajuda da UE

Engenheiros e equipes de ajuda, auxiliados por voluntários, lutam contra o tempo para terminar de construir uma barreira de emergência para conter um possível segundo vazamento no reservatório.

Especialistas da União Europeia estão prestando auxílio e avaliando o impacto, a longo prazo, do vazamento nos lençois de água e no solo.

Eles também estão examinando os possíveis riscos que a lama, ao secar, pode trazer para a saúde da população.

Em discurso no parlamento, o primeiro-ministro Orban disse que os afetados pelo vazamento precisam ser indenizados e que empregos na usina devem ser preservados.

Orban disse também que os responsáveis deverão arcar com as consequências e que outras instalações industriais onde existe risco precisam ser identificadas.

"Precisamos manter a companhia responsável pelo vazamento de lama sob controle do Estado e suas propriedades sob administração estatal até que essas quatro metas sejam cumpridas", ele disse.

O secretário de Meio Ambiente da Hungria, Zoltan Illes, disse que a companhia pode ter de pagar US$ 102 milhões em danos.

"Ainda não sabemos se a companhia sobrecarregou o reservatório ou não", disse Illes à imprensa em Ajka.

"Mas, se for o caso, isso é armazenamento ilegal de detritos, o que constitui crime."

Torrente de lama vermelha

A usina, localizada a 160 km de Budapeste, produz alumina - ou óxido de alumínio - a partir do minério de bauxita.

O produto é usado na fabricação do metal alumínio e de cerâmicas.

Os resíduos resultantes da produção são armazenados em um reservatório próximo da usina.

A lama tóxica, de cor vermelha, escapou por uma brecha no canto do reservatório, formando uma torrente com até 2 m de altura que se espalhou por Kolontar, Devecser e outras cidadezinhas vizinhas.

A maioria das vítimas morreu afogada ou foi levada pela lama. Um membro da equipe de ajuda disse nesta segunda-feira que o corpo da última pessoa desaparecida foi encontrado em um campo entre Kolontar e Devecser.

Segundo relatos, toda as formas de vida que existiam no rio Marcal, que desagua no Danúbio, foram extintas.

A lama alcançou o Danúbio na quinta-feira, mas as autoridades húngaras disseram na sexta-feira que o pH do rio estava "normal", dispersando temores de que o segundo mais longo rio da Europa ficaria seriamente poluído.

Equipes de emergência vêm adicionando imensas quantidades de químicos às águas dos rios Marcal e Raba para tentar diluir o conteúdo alcalino do vazamento.

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