América Latina

Resgate de mineiros pode ser concluído hoje, diz Piñera

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O presidente do Chile, Sebastián Piñera, disse na manhã desta quarta-feira que a operação de resgate dos 33 mineiros soterrados no país pode ser concluída ainda hoje.

Anteriormente, o prazo citado pelo governo era de 24 horas a 48 horas após o início da operação, que começou há cerca de 12 horas.

Até agora, 16 dos 33 mineiros já chegaram à superfície da mina de San José. Os resgates mais recentes foram de Daniel Herrera (16º a ser resgatado), Víctor Segovia (15º) e Víctor Zamorra (14º).

Por ter passado boa parte dos últimos 69 dias tomando notas da experiência vivida no subsolo, acredita-se que Segovia publicará um livro sobre o episódio.

Piñera disse nesta quarta-feira que “os prazos foram encurtados, porque a operação de resgate de cada mineiro demorava uma hora, (mas) agora estamos resgatando três mineiros a cada duas horas”. “Faltam sete a oito horas de resgate, então pode ser que termine ainda hoje.”

Em coletiva ao lado do presidente boliviano, Evo Morales, Piñera disse que a operação demonstra “o compromisso de um povo inteiro”, já que “a maioria dos chilenos manteve vivo o sonho” de que a operação fosse bem-sucedida.

Pouco depois do 14º resgate, Piñera recebeu um telefonema do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, a quem disse ter vivido "uma noite mágica". Em seguida, ligaram Cristina Kirchner, da Argentina, Hugo Chávez, da Venezuela, e David Cameron, primeiro-ministro da Grã-Bretanha.

'Esforço'

Morales, que foi à mina encontrar-se com o presidente chileno e com o minerador boliviano Carlos Mamani, único estrangeiro entre os 33 soterrados, agradeceu o esforço de resgate por seu compatriota.

Mamani recebeu de Morales uma oferta para trabalhar na estatal boliviana de petróleo.

Segundo o ministro da Saúde chileno, Jaime Mañalich, todos os trabalhadores resgatados estão se recuperando bem. Eles estão sendo levados de helicóptero ao hospital de Copiapó, onde devem ser monitorados por 48 horas.

Florencio Avalos foi o primeiro a chegar à superfície à 0h10 local (mesmo horário de Brasília), após ser içado de 624 metros de profundidade em uma cápsula. Em seguida, saíram Mario Sepulveda, Juan Illanes, o único estrangeiro do grupo, o boliviano Carlos Mamani, e o mais novo de todos, Jimmy Sanchez, de 19 anos, pai de um bebê de quatro meses.

O sexto mineiro foi Osmán Araya, que chorou ao abraçar a esposa Angélica. Em seguida, foi resgatado José Ojeda, autor do bilhete encontrado no dia 22 de agosto, 17 dias após o acidente. A nota afirmava que os mineiros estavam vivos.

O oitavo trabalhador a sair da mina foi Claudio Yanez, que foi recebido por sua noiva, Cristina Nuñez. Eles decidiram se casar depois do acidente. Em seguida saíram Mario Gómez, Alex Vega e Jorge Galleguillos.

'Volta à vida'

"Estou de volta à vida", disse Gómez, de 63 anos, o mais velho dos 33 homens presos há dois meses em uma mina no norte do país.

Gómez, de 63 anos, sofre de hipertensão e silicose, doença respiratória comum entre mineiros, e foi retirado usando uma máscara de oxigênio.

Pouco antes das 11h chegou à superfície o 13º mineiro, Carlos Barrios, de 27 anos.

Ele tem um filho de cinco anos e não sabe que vai ser pai de um segundo: sua namorada, Carolina Véliz, está grávida. Barrios é fanático por futebol e trabalha há apenas seis meses com mineração.

Óculos escuros

Os mineiros resgatados aparentavam disposição e usavam óculos escuros. Eles foram recebidos com entusiasmo por familiares e por Piñera.

Avalos, Sepulveda e Illanes foram escolhidos para encabeçar a lista por serem os mais fortes do grupo – logo, estariam mais capacitados para lidar com eventuais dificuldades na subida.

Antes, às 23h15 locais de quarta-feira (mesmo horário de Brasília), um técnico desceu até o local onde estão os mineiros. Ele analisou o estado do túnel e deu o aval para o início do resgate. Dois paramédicos também estão reunidos com os mineiros e ajudam na operação.

O último homem a ser retirado deve ser Luis Urzua, 54. Ele é considerado o líder dos mineiros e teve participação crucial nos primeiros dias que sucederam o acidente, quando o grupo teve de racionar comida para sobreviver.

Correspondentes no local afirmam que há um sentimento de alvoroço no acampamento. Jornalistas do mundo todo foram até a mina de San José esperar a saída dos mineiros.

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