América Latina

Operação de resgate de mineiros entra na segunda metade

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A maior operação de resgate da história da mineração entrou em sua segunda metade na tarde desta quarta-feira no Chile.

Cerca de 16 horas e meia depois do primeiro resgate, chegou à superfície o 21º mineiro, Yonni Barrios, de um total de 33 homens soterrados há 69 dias.

Algumas horas antes, o presidente chileno, Sebastián Piñera, havia dito que a operação poderia ser finalizada ainda nesta quarta-feira. Seu ministro de Mineração, Laurence Golborne, disse que até o momento não houve incidentes ou contratempos.

Até a terça-feira, o governo vinha dizendo que a operação, iniciada nos primeiros minutos desta quarta-feira, poderia se estender por de 24 horas a 48 horas.

Segundo autoridades, o processo foi agilizado porque não houve as complicações previstas com a fibra ótica que faz a comunicação com o interior da mina e porque cada ciclo - de descida da cápsula e subida com os mineiros - está levando cerca de 45 minutos, em vez da uma hora planejada anteriormente.

Em coletiva ao lado do presidente boliviano, Evo Morales, Piñera disse que a operação demonstra “o compromisso de um povo inteiro”, já que “a maioria dos chilenos manteve vivo o sonho” de que a operação fosse bem-sucedida.

Pouco depois do 14º resgate, Piñera recebeu um telefonema do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, a quem disse ter vivido "uma noite mágica". Em seguida, ligaram Cristina Kirchner, da Argentina, Hugo Chávez, da Venezuela, e David Cameron, primeiro-ministro da Grã-Bretanha.

'Esforço'

Morales, que foi à mina se encontrar com o presidente chileno e com o minerador boliviano Carlos Mamani, único estrangeiro entre os 33 soterrados, agradeceu o esforço de resgate de seu compatriota.

Mamani recebeu de Morales uma oferta para trabalhar na estatal boliviana de petróleo.

Segundo o ministro da Saúde chileno, Jaime Mañalich, todos os trabalhadores resgatados estão se recuperando bem. Eles estão sendo levados de helicóptero ao hospital de Copiapó, onde devem ser monitorados por 48 horas.

Florencio Avalos foi o primeiro a chegar à superfície à 0h10 local (mesmo horário de Brasília), após ser içado de 624 metros de profundidade em uma cápsula. Em seguida, saíram Mario Sepúlveda, Juan Illanes, Carlos Mamani e o mais novo de todos, Jimmy Sanchez, de 19 anos, pai de um bebê de quatro meses.

O sexto mineiro foi Osmán Araya, que chorou ao abraçar a esposa Angélica. Em seguida, foi resgatado José Ojeda, autor do bilhete encontrado no dia 22 de agosto, 17 dias após o acidente. A nota afirmava que os mineiros estavam vivos.

O oitavo trabalhador a sair da mina foi Claudio Yánez, que foi recebido por sua noiva, Cristina Nuñez. Eles decidiram se casar depois do acidente. Em seguida saíram Mario Gómez (9º), Alex Vega (10º), Jorge Galleguillos (11º) e Edison Peña (12º).

'Volta à vida'

"Estou de volta à vida", disse Gómez, de 63 anos, o mais velho dos 33 homens presos há dois meses em uma mina no norte do país.

Gómez, de 63 anos, sofre de hipertensão e silicose, doença respiratória comum entre mineiros, e foi retirado usando uma máscara de oxigênio.

Pouco antes das 11h chegou à superfície o 13º mineiro, Carlos Barrios, de 27 anos.

Ele tem um filho de cinco anos e, até ser resgatado, não sabia que deve ser pai de um segundo: sua namorada, Carolina Véliz, está grávida. Barrios é fanático por futebol e trabalha há apenas seis meses com mineração.

O 14º a sair foi Víctor Zamorra, seguido por Víctor Segovia (15º), Daniel Herrera (16º), Omar Reygadas (17º), Esteban Rojas (18º), seu primo Pablo Rojas (19º), Dario Segovia (20º) e, por fim, Yonni Barrios.

Yonni tem uma das histórias pessoais mais intrigantes, já que era esperado por duas mulheres no exterior da mina. Quem o recebeu foi Marta de Barrios, com quem esteve casado por 28 anos. Mas Susana Valenzuela diz que é com ela que o mineiro vive há um ano.

Já Segovia passou boa parte dos últimos 69 dias tomando notas da experiência vivida no subsolo, e acredita-se que ele publicará um livro sobre o episódio.

Óculos escuros

Os mineiros resgatados aparentavam disposição e usavam óculos escuros. Eles foram recebidos com entusiasmo por familiares e por Piñera.

Em imagens feitas na área reservada às suas famílias os mineiros pareciam bem dispostos e sorridentes. Golborne disse em coletiva que os mineiros que tinham a saúde mais fragilizada já foram resgatados e estão bem.

Avalos, Sepúlveda e Illanes foram escolhidos para serem os primeiros a subir por serem os mais fortes do grupo – logo, estariam mais capacitados para lidar com eventuais dificuldades na subida.

Antes, às 23h15 locais de quarta-feira (mesmo horário de Brasília), um técnico desceu até o local onde estão os mineiros. Ele analisou o estado do túnel e deu o aval para o início do resgate. Dois paramédicos também estão reunidos com os mineiros e ajudam na operação.

O último homem a ser retirado deve ser Luis Urzúa, 54. Ele é considerado o líder dos mineiros e teve participação crucial nos primeiros dias que sucederam o acidente, quando o grupo teve de racionar comida para sobreviver.

Depois dele devem deixar a mina os cinco socorristas que desceram ao subsolo e um sexto que deve descer nas próximas horas.

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