Secretário de defesa dos EUA faz alerta sobre nova lei para militares gays

Robert Gates
Image caption Para Gates, decisão terá "consequências enormes sobre as tropas americanas"

O secretário de Defesa americano, Robert Gates, disse nesta quarta-feira que uma mudança repentina na política sobre a presença de homossexuais nas Forças Armadas pode ter “enormes consequências” para as tropas.

As declarações do secretário foram feitas um dia após uma juíza distrital da Califórnia ter ordenado a suspensão da proibição de que gays assumidos sirvam nas Forças Armadas - política conhecida como Don't ask, don't tell (“Não pergunte, não conte”, em tradução livre).

Segundo Gates, essa decisão deveria ficar a cargo do Congresso e não de um tribunal.

“Eu acredito firmemente que essa é uma ação que cabe ao Congresso e que requer uma preparação cuidadosa e muito treinamento”, afirmou o secretário. "Tem enormes consequências sobre as nossas tropas.”

Legislação

A política do Don´t ask, don´t tell exige que militares gays mantenham sua orientação sexual em segredo, sob pena de expulsão.

Essa legislação foi aprovada pelo Congresso em 1993, em substituição a uma lei anterior que proibia completamente a presença de homossexuais nas Forças Armadas americanas.

A juíza Virginia Phillips considerou a política do Don´t ask, don´t tell inconstitucional, por violar os direitos de liberdade de expressão dos militares homossexuais.

O presidente americano, Barack Obama, já prometeu repetidas vezes acabar com a proibição de que homossexuais assumidos possam integrar as Forças Armadas.

Nesta quarta-feira, o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse o Don´t ask, don´t tell é uma política que vai chegar ao fim.

“Vocês ouviram o presidente discutir isso por vários anos, mas quero reiterar que o presidente acredita firmemente que essa política é injusta, que é prejudicial para a nossa segurança nacional e que discrimina aqueles que estão dispostos a morrer por seu país”, disse Gibbs.

“E o presidente acredita firmemente que essa é hora de essa política terminar”, afirmou o porta-voz.

Impacto

Gibbs não esclareceu se o governo pretende apresentar recurso contra a decisão da Justiça da Califórnia. O Departamento de Justiça tem prazo de 60 dias para apelar.

A revisão da lei está parada no Senado e sofre oposição dos republicanos – que poderão ganhar maioria no Congresso nas eleições do próximo mês.

No início do ano, o secretário de Defesa anunciou a criação de um grupo de trabalho formado por representantes civis e militares para estudar os efeitos que uma revisão da atual política teria sobre as Forças Armadas.

O grupo deve apresentar suas conclusões em dezembro.

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