Japão defende libertação de Nobel da Paz preso na China

Image caption Naoto Kan disse que a China deve respeitar as liberdades individuais

O primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, disse nesta quinta-feira que a libertação do prêmio Nobel da Paz Liu Xiaobo pelo governo chinês é "desejável".

"Do ponto de vista da proteção dos direitos humanos, a libertação é desejável", declarou o premiê, em resposta a perguntas de um parlamentar da oposição.

Durante uma reunião do comitê orçamentário japonês no Parlamento, Kan disse ainda que o prêmio dado a Liu era bem-vindo, já que ele é um ativista por reformas políticas na China.

"Acho que é importante que direitos humanos e valores fundamentais sejam garantidos na China", afirmou Kan.

O primeiro-ministro disse que a comunidade internacional e ele mesmo vão "observar atentamente se Liu ou sua família poderão receber o prêmio", mas o governo japonês ainda não fez pedidos formais para a libertação de Liu à China.

Liu Xiaobo era praticamente desconhecido em seu país antes do anúncio do prêmio, mas o governo chinês reagiu mal à decisão e censurou notícias a respeito.

Representantes do país disseram que o Nobel era um "insulto ao sistema judicial chinês", já que Xiaobo está preso por "violar leis" nacionais.

O governo da Noruega, sede da fundação do Nobel, disse que a reação da China foi "pouco apropriada".

Polêmico

Após o anúncio da premiação, a China cancelou uma série de reuniões políticas, econômicas e culturais com a Noruega.

A porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores norueguês, Ragnhild Imerslund, disse que "se essa decisão é uma consequência ao anúncio do prêmio Nobel da Paz, a consideramos uma reação inapropriada".

Ela afirmou ainda que o país gostaria de continuar a cooperar com a China.

Dois diplomatas noruegueses foram impedidos de visitar Liu Xia, a esposa de Liu Xiaobo.

Pelo site de microblog Twitter, ela disse que está sendo mantida em "prisão domiciliar ilegal". Ainda não se sabe se ela poderá ir a Oslo receber o prêmio por seu marido.

Liu Xiaobo cumpre pena de 11 anos de prisão pela participação no manifesto Carta 08, que pedia reformas políticas. Ele dedicou o prêmio às vítimas da repressão do governo chinês na Praça da Paz Celestial, em 1989.

Vizinhos

Os comentários do primeiro-ministro japonês foram feitos após a tentativa de resolver a disputa de território mais recente entre os dois governos.

O Japão prendeu o capitão de um navio de pesca chinês em setembro, sob a alegação de que ele ultrapassou o limite e pescava em águas administradas pelo país.

Atualmente, os países vizinhos disputam o controle da exploração de gás no Mar da China Oriental e a posse das ilhas Diaouyu (Senkaku para os japoneses), uma área de disputa territorial entre os dois países, atualmente controlado pelo Japão.

Analistas dizem que os comentários de Naoto Kan podem provocar mais indignação em Pequim.

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