Fed sinaliza medidas adicionais para estimular economia dos EUA

Ben Bernanke, presidente do Fed
Image caption Baixa inflação e alto desemprego preocupam Bernanke

O presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos), Ben Bernanke, indicou nesta sexta-feira que a instituição poderá adotar medidas adicionais para estimular a economia americana, cuja recuperação pós-crise mundial vem ocorrendo em um ritmo mais lento do que o desejado pelo governo.

Em um discurso em Boston, Bernanke disse que as altas taxas de desemprego e o baixo índice de inflação representam um risco para a recuperação da economia do país.

"Dados os objetivos do comitê, parece ser o caso de ação adicional", disse Bernanke, referindo-se ao Federal Open Market Committee (Fomc, na sigla em inglês, órgão equivalente ao Comitê de Política Monetária brasileiro).

"O comitê deve considerar os custos e os riscos associados com o uso de ferramentas não convencionais quando analisar se políticas acomodatícias adicionais podem ser benéficas", disse Bernanke.

Bernanke não deu detalhes sobre que medidas o Fed poderia tomar, mas a expectativa é de que em sua próxima reunião, nos dias 2 e 3 de novembro, o Fed decida apoiar a compra de títulos de dívidas do governo.

No auge da crise, o Fed comprou mais de US$ 1,5 trilhão (cerca de R$ 2,5 trilhões) em títulos lastreados em hipotecas.

Desemprego e inflação

A taxa de desemprego nos Estados Unidos, atualmente em 9,6%, manteve-se próxima de 10% durante todo o ano e, segundo analistas, não há perspectivas de que possa baixar no curto prazo.

Calcula-se que mais de 8 milhões de americanos tenham perdido seus empregos durante a recessão nos Estados Unidos, que durou 18 meses, até junho de 2009.

Quanto à inflação, dados divulgados nesta sexta-feira pelo governo americano revelam que o índice de preços ao consumidor teve alta de apenas 0,1% em setembro em relação ao mês anterior, e elevação foi exclusivamente devido ao aumento dos preços de alimentação e energia.

O núcleo da inflação, excluindo-se alimentação e energia, se manteve estável de agosto para setembro e aumentou 0,8% em um ano, o mais baixo percentual desde 1961.

"Se nós precisávamos de um lembrete sobre por que o Fed está cada vez mais preocupado com os riscos deflacionários e está preparando medidas para sua reunião de novembro, (o lembrete) é este", disse o economista-chefe da consultoria IHS Global Insight nos Estados Unidos, Nigel Gault.

Dólar

As medidas que poderão ser adotadas pelo Fed podem ter como consequência o enfraquecimento do dólar, ao aumentar o volume de moeda em circulação.

Entre outros efeitos, o dólar fraco torna as exportações americanas mais competitivas no mercado internacional, o que estimula a criação de empregos.

Na semana passada, na reunião do FMI e do Banco Mundial em Washington, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meirelles, criticaram ações tomadas pelos Estados Unidos para estimular sua economia por provocarem desequilíbrios cambiais entre os países.

"Hoje o desequilíbrio mais importante é a expansão monetária norte-americana, usada para combater o baixo crescimento e o desemprego ainda elevado nos Estados Unidos", disse Meirelles.

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O Brasil tem tomado medidas para tentar conter a alta do real frente ao dólar, que preocupa os exportadores nacionais, por tornar os produtos brasileiros menos competitivos no mercado mundial.

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