Moradores voltam para casa após vazamento de lama tóxica na Hungria

Resíduos cobriram área de 40 km²; contaminação se espalhou pela rede fluvial da região. Foto: AP
Image caption Companhia responsável pelo acidente que deixou 9 mortos voltou a operar

Centenas de pessoas que haviam sido retiradas de áreas afetadas pelo vazamento de lama tóxica que matou nove pessoas na Hungria começaram a voltar para casa nesta sexta-feira.

Já a companhia MAL Hungarian Aluminium Production and Trade Company, responsável pelo acidente, voltou a operar, devendo retomar sua capacidade total de produção em quatro dias, segundo informou a rede de televisão húngara TV2.

O vazamento ocorreu no dia 4 de outubro próximo à cidade de Kolontar, no oeste do país.

Além das vítimas fatais, cerca de 150 pessoas ficaram feridas quando 700 mil metros cúbicos de lama tóxica - material resultante do processo de fabricação de alumina - vazaram de um reservatório.

Os resíduos cobriram uma área de 40 km² e a contaminação se espalhou pela rede fluvial da região.

Cerca de 700 pessoas são esperados para retornar a Kolontar nos próximos dias. Elas irão morar nas partes mais altas da localidade, longe da lama tóxica que vazou do reservatório.

Um sistema de diques foi construído nos últimos dias para proteger a cidade de um possível segundo vazamento.

Segundo o correspondente da BBC em Budapeste Nick Thorpe, Kolontar ficou quase irreconhecível depois do vazamento. Ele informa que dez casas foram destruídas na cidade, tanto pela construção das barragens quanto pelos danos causados pelo acidente.

Dezenas de moradores também estão retornando a Devecser, outra cidade atingida pela lama tóxica.

"Decisão irresponsável"

O grupo de defesa ambiental Greenpeace chamou de "irresponsável" a decisão de permitir os moradores de voltarem às suas casas, alegando que as causas exatas do acidente ainda não foram determinadas.

A usina que causou o vazamento permanecerá sob controle do Estado por pelo menos dois anos.

Uma investigação criminal vai apurar se os proprietários seguiram as normas de segurança e se eles tinham conhecimento dos riscos de vazamento no reservatório de lama tóxica.

No último dia 11, o presidente da empresa, Zoltan Bakonyi, foi detido para prestar depoimento.