Ciência

Cães farejadores ajudam a preservar baleias no Pacífico

Galeria de Fotos: O cachorro e a baleia

  • Foto: Kelley Balcomb-Bartok
    O cachorro farejador Tucker ajuda pesquisadores a encontrar baleias assassinas nos Estados Unidos. Foto: Kelley Balcomb-Bartok
  • Foto: Fred Felleman
    Tucker não gosta de água, mas foi treinado para farejar as fezes das baleias, que boiam no Oceano Pacífico. Foto: Fred Felleman
  • Foto: New England Aquarium
    As baleias pesam 50 toneladas e raramente são vistas sob a água. Por isso, é difícil estudá-las. Foto: New England Aquarium
  • Foto: New England Aquarium
    A análise das fezes mostrou que o número de turistas e barcos no mar aumenta o estresse das baleias. Foto: New England Aquarium
  • Foto: Andrew Luck-Baker/BBC
    As fezes contém hormônios que dão pistas sobre a nutrição e a fertilidade destes animais. Foto: Andrew Luck-Baker/BBC
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    O trabalho de encontrar e analisar as fezes ajuda a entender os motivos da diminuição dos grupos de baleias na região. Foto: Andrew Luck-Baker/BBC
  • Foto: Andrew Luck-Baker/BBC
    Tucker ganha o direito de brincar uma bola quando encontra uma nova amostra para os pesquisadores. Foto: Andrew Luck-Baker/BBC

Cientistas americanos estão usando cães farejadores para ajudar na preservação de populações de baleias no Oceano Pacífico.

A ideia de treinar cachorros para detectar fezes de baleia boiando na água surgiu da necessidade de estudar esses animais enormes que passam quase toda a sua vida embaixo da água.

"Como você estuda uma baleia de 50 toneladas? Você não pode pegar o animal, nós não podemos fazer um exame físico. Então, a única coisa que sabíamos que podíamos conseguir eram amostras de fezes, porque isso já havia sido feito nos anos 80 para estudar a dieta das baleias", explicou Roz Rolland, do New England Aquarium, em Boston, uma pioneira no uso da técnica.

As fezes contém informações sobre os níveis de estresse e fertilidade da baleia, sua nutrição e a exposição do animal à poluição. Esses dados permitem que os cientistas descubram o que está por trás do declínio da população de baleias na região.

"Há algo muito importante no uso de habilidades - que não envolvem alta tecnologia, mas que são altamente eficientes - de um animal para ajudar a preservar outro. E para os cachorros, isso é um jogo de esconde-esconde. Eles adoram", diz Rolland.

O repórter da BBC Andrew Luck-Baker passou um dia inteiro em um barco com o labrador Tucker, procurando fezes de baleia.

Segundo ele, o trabalho do cachorro é fundamental, já que as fezes boiam por, no máximo, 45 minutos antes de afundar entre as ondas. Se as condições de vento foram ideais, um cão como Tucker pode farejá-las a mais de 1,6 mil metros de distância e guiar o barco até elas.

Quanto mais amostras forem coletadas, mais robustas são as conclusões sobre o que está afetando as baleias.

As análises de laboratório já confirmaram as suspeitas de que o número de turistas aumenta o nível de estresse das baleias, através do cruzamento de informações sobre os números de barcos no mar e a quantidade de cortisol, o hormônio do estresse, presente nas amostras de fezes em um determinado dia.

Os dados revelaram que os barcos particulares geram mais estresse para os animais que as operadoras comerciais, porque tendem a chegar mais perto das baleias e agir de forma irresponsável.

Mas o grande problema para as baleias parece ser que há menos peixes, e eles são menores do que costumavam ser, disponíveis para sua alimentação hoje em dia.

Segundo os especialistas, as baleias tem que trabalhar muito mais para conseguir a mesma quantidade de comida, porque peixes como o salmão estão se tornando mais raros devido à pesca comercial e à construção de represas.

Por ajudar a descobrir informações tão importantes para a preservação das baleias, cachorros como Tucker ganham uma recompensa: uma brincadeira animada com uma bola por cada amostra de fezes descoberta no oceano.

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