Parlamentares britânicos são suspensos por irregularidade em reembolsos

A parlamentar Pola Uddin
Image caption Pola Uddin foi suspensa do Parlamento até 2012

Três parlamentares britânicos acusados de irregularidades na prestação de contas foram suspensos nesta quinta-feira da Câmara dos Lordes (Câmara alta do parlamento britânico), na punição mais dura imposta a membros da casa desde o século 17.

Pola Uddin, Swraj Paul e Amirali Bhatia haviam pedido, no total, o equivalente a quase R$ 530 mil em auxílio-moradia, apesar de residirem em Londres.

Os três registraram propriedades nos arredores da cidade como sendo suas residências, para receber auxílio-moradia de 174 libras e ajuda de custos para viagens, mas passavam a maior parte do tempo em suas casas na capital britânica.

Pola Uddin, a primeira mulher muçulmana a atuar na Câmara dos Lordes, protagonizou o caso mais grave. Integrante do Partido Trabalhista – do qual também foi suspensa –, ela declarara, entre 2001 e 2005, que sua casa principal seria na cidade de Frinton-on-Sea (sudeste da Inglaterra).

Nascida em Bangladesh, Uddin será banida do Parlamento até 2012 e obrigada a devolver 125,3 mil libras (R$ 332 mil).

Bhatia, de origem tanzaniana, foi suspenso por oito meses e teve de devolver 27,4 mil libras. Paul, nascido na Índia, já devolveu 42 mil libras e recebeu suspensão de quatro meses.

Na câmara alta, os parlamentares não são eleitos e assumem o cargo por indicação e hereditariedade.

Investigação

Os legisladores suspensos foram alvo de investigação da comissão de conduta da Câmara, após denúncias de que recebiam reembolsos indevidamente.

O auxílio de 174 libras por noite é dado a parlamentares de fora de Londres que vão à capital para participar de sessões do Parlamento.

Uddin alegou que suas casas nos condados de Essex e Kent (sudeste da Inglaterra) eram "lugares de refúgio", mas admitiu que isso não altera o fato que sua casa principal era em Londres.

Já Paul, também do Partido Trabalhista, admitiu que nunca passou uma noite sequer no apartamento no condado de Oxfordshire (centro-sul da Inglaterra), que ele dizia ser sua casa principal desde 2006.

Segundo a comissão, "ele alegou que sua interpretação de 'casa principal' envolvia raízes culturais e afirmou que qualquer um vindo da Índia não entenderia o termo".

Bhatia será suspenso por oito meses por ter declarado que sua casa era em Reigate, no condado de Surrey (sul da Inglaterra), entre 2007 e 2009, quando, na verdade, manteve uma residência em Londres por 20 anos.

Escândalos

Não é a primeira vez que escândalos desse tipo atingem a Câmara dos Lordes.

Em fevereiro deste ano, quatro parlamentares foram indiciados por fraude. Um deles pediu reembolso de forma ilegal pelo aluguel de propriedades que pertenciam a ele e sua mãe.

Na Câmara dos Comuns, a câmara baixa britânica, denúncias de uso irregular de verbas ganharam destaque durante os meses prévios às eleições de maio.

As suspensões de Uddin e Bhatia foram mais longas do que as de seis meses impostas a dois parlamentares em maio de 2009 – os dois foram os primeiros a serem suspensos do Parlamento desde o século 17.

No entanto, críticos pediram investigações quanto a se houve conotação racista à punição imposta a Uddin, Paul e Bhatia, já que os três são de origem estrangeira.

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