Senado francês aprova elevação da idade para aposentadoria

Manifestação na França
Image caption Sindicatos já convocaram novas paralisações para o fim deste mês

O Senado francês aprovou nesta sexta-feira o polêmico plano do governo que prevê a elevação da idade mínima para a aposentadoria de 60 para 62 anos.

A medida, que tem provocado greves e manifestações no país todo há mais de uma semana, foi aprovada por 177 votos a favor, 153 contrários e nove abstenções.

“Não é agarrando os símbolos do nosso passado que continuaremos a ser uma grande nação”, disse ao Senado o ministro do Trabalho, Eric Woerth, antes da votação.

Na segunda-feira, um comitê com membros do Senado e da Assembleia Nacional se reunirão para harmonizar as distintas versões aprovadas nas duas casas do Parlamento.

O texto final será levado para uma nova votação no Parlamento, o que deve ocorrer entre terça e quarta-feira, e só então a lei poderá entrar em vigor na prática.

Para sindicalistas, porém, até que a lei seja oficialmente promulgada, ainda é possível derrubá-la. Os opositores da medida também poderão questioná-la na Corte Constitucional antes da oficialização.

Os manifestantes são contrários ao aumento da idade mínima para aposentadoria e à ampliação da idade para ter direito à aposentadoria integral, que passará de 65 para 67 anos no caso dos trabalhadores que não atingiram o tempo de contribuição exigido (40,5 anos).

O presidente Nicolas Sarkozy afirma que as medidas são essenciais para reduzir o déficit público francês.

Mais protestos

O governo espera que, com o fim da votação, as manifestações país afora percam força.

No entanto, os sindicatos convocaram na última quinta-feira dois novos dias de greves, em 28 de outubro e 6 de novembro, e a principal organização estudantil convocou outro protesto em 26 de outubro.

Porém, as férias escolares se iniciam nesta sexta à noite e vão até 4 de novembro, o que pode enfraquecer a manifestação.

Os sindicatos têm tentado bloquear todas as 12 refinarias na França para forçar o governo a recuar. Mais de 2 mil postos de gasolina estão desabastecidos.

Na manhã desta sexta-feira, a tropa de choque da polícia desbloqueou a refinaria de Grandpuits, nos arredores de Paris, uma filial do grupo Total. Houve tumulto, e três manifestantes ficaram feridos.

O secretário de Segurança Pública da região ordenou por decreto que funcionários em greve na refinaria retornassem ao trabalho. O sindicato CGT denunciou o que chamou de "entrave ao direito constitucional de greve".

Segundo o primeiro-ministro François Fillon, levará alguns dias para que o fornecimento de combustível volte ao normal no país.

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