Ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner morre aos 60 anos

Nestor e Cristina Kirchner em reunião da Unasul, no início de outubro (Reuters)
Image caption Nestor Kirchner vinha sofrendo com problemas cardíacos

O ex-presidente da Argentina Nestor Kirchner morreu nesta quarta-feira aos 60 anos, na cidade de El Calafate, Província de Santa Cruz, sul do país.

Internado às pressas no Hospital José Formenti, ele teve morte súbita após sofrer uma parada cardiorrespiratória.

Esta havia sido a terceira internação de Kirchner somente este ano.

Ele governou a Argentina entre 2003 e 2007, tendo sido sucedido por sua mulher e atual presidente, Cristina Fernández de Kirchner. Em maio, ele havia assumido o cargo de secretário-geral da Unasul (União das Nações Sul-Americanas).

Antes de chegar à Presidência, Kirchner foi prefeito de Río Gallegos (capital de Santa Cruz) entre 1987 e 1991 e governador da Província entre 1991 e 2003. Em 2009, ele foi eleito deputado federal, com mandato válido até 2013.

À frente do Partido Justicialista (PJ, peronista), o maior da Argentina, o ex-presidente era apontado por analistas como o “braço forte do governo” da mulher.

Ele era cotado para ser candidato à Presidência novamente nas eleições de outubro do ano que vem.

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Cartazes na Casa Rosada

Em Buenos Aires, populares colocaram flores e pequenos cartazes em frente à sede da Presidência, a Casa Rosada, no centro da cidade. "Força, presidente Cristina", dizem alguns dos papéis, escritos à mão.

Famílias inteiras chegam à Casa Rosada, algumas levando a bandeira do país pendurada nas costas.

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A residência do casal na cidade de El Calafate, onde Kirchner nasceu e morreu, foi cercada por um forte esquema de segurança, de acordo com a imprensa local.

Cristina Kirchner ainda não se pronunciou sobre a morte do marido. O corpo do ex-presidente deve ser velado a partir do meio-dia desta quinta-feira na Casa Rosada.

Alvo de fortes críticas da oposição durante seu mandato, Kirchner foi definido por seus adversários políticos nesta quarta-feira como um homem de "convicções".

“Como eu, certamente todo o país hoje está apoiando a presidente, sem diferenças políticas", disse o ex-presidente Eduardo Duhalde, opositor de Kirchner e integrante do peronismo dissidente à linha kirchnerista.

O vice-presidente do país, Julio Cobos, adversário político do casal presidencial, disse estar "impactado" com a notícia e que estava tentando falar com a presidente para prestar sua solidariedade.

O ex-presidente Carlos Menem, que governou o país entre 1989 e 1999, disse que o momento é de apoiar a presidente. "Todos devemos ajudar a senhora de Néstor Kirchner. Que ela não tenha inconvenientes para governar. É hora de apoiá-la", disse.

O também ex-presidente Fernando de La Rúa, que esteve à frente do país entre 1999 e 2001, quando renunciou, disse que é hora de "valorizar a paz acima das diferenças políticas".

Segundo ele, a presidente estará, a partir de agora, "sozinha e é preciso ajudá-la, em um âmbito de mais reflexão e de diálogo".

O prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, também de oposição ao casal Kirchner, já deu suas condolências à presidente, segundo relata a imprensa local.

Empresários e movimentos sociais

A morte de Kirchner também foi lamentada por líderes empresariais e de movimentos sociais. "Ele deu a vida pelo país", afirmou a presidente da ONG Avós da Praça de Maio, Estela de Carloto.

"É preciso ajudá-la (Cristina Kirchner) para que seja mantida a governabilidade e para que não apareçam oportunistas (contra o governo)", disse o presidente da União Industrial Argentina (UIA), Hector Mendez.

Já o presidente da Federação Agrária, Eduardo Buzzi - líder da greve do setor rural que paralisou a Argentina no início do governo da atual presidente -, disse que não há "riscos de sustos" para a democracia argentina porque, segundo ele, "Cristina não é Isabelita Perón".

Isabelita foi mulher do ex-presidente Juan Domingo Perón e governou o país entre 1974 e 1976, quando foi derrubada por um golpe militar.

Problemas de saúde

Com um histórico de problemas cardíacos, Kirchner foi submetido a uma cirurgia em fevereiro, para desobstruir uma artéria. Em setembro, ele foi submetido a um angioplastia.

Outra internação ocorreu em 2004, durante seu mandato, devido a problemas gástricos.

Em 2006, surgiram rumores de que sua dieta estaria sendo limitada devido a problemas de saúde.

Segundo assessores, Kirchner se alimentava com pouco sal e realizava uma hora de caminhadas diárias.

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