Passa de 290 número de mortos em tragédias naturais na Indonésia

resgate de vítimas na Indonésia
Image caption Tsunami no oeste do país causou a maioria das mortes

O número de mortes em decorrência de três desastres naturais registrados nesta semana na Indonésia – um terremoto, um tsunami e uma erupção vulcânica – passa de 290, informaram nesta quarta-feira autoridades do país.

Equipes de resgate continuam a busca por sobreviventes do terremoto – seguido de tsunami – e da erupção, que atingiram duas partes distintas da Indonésia.

A maioria das mortes, ao menos 272, ocorreu nas remotas Ilhas Mentawai, próximas à costa da Ilha de Sumatra (oeste do país), que foram atingidas por ondas gigantes causadas por um terremoto de magnitude 7,7, ocorrido na segunda-feira.

As ondas alcançaram 3 metros de altura, e as águas avançaram a até 600 metros da costa.

Obama

A série de tragédias forçou o presidente indonésio Susilo Bambang Yudhoyono a antecipar a volta de uma viagem ao exterior.

Yudhoyono visitou a região afetada pelo tsunami nesta quarta-feira para observar os esforços de resgate, prejudicados pelo mau tempo. Estima-se que cerca de 400 pessoas estão desaparecidas.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que passou parte de sua infância na Indonésia, ofereceu ajuda americana para lidar com a tragédia e lamentou as mortes.

“Ao mesmo tempo, estou tocado e motivado pela resistência do povo indonésio.”

Autoridades dizem que helicópteros finalmente conseguiram chegar a vilas isoladas pelas águas, mas ao menos 13 acampamentos foram destruídos pelas ondas.

Vulcão

Image caption Erupção do Merapi forçou o deslocamento de 14 mil pessoas

Enquanto isso, ao menos 14 mil pessoas na região central da Ilha de Java (a leste da região atingida pelo tsunami) foram levadas a abrigos para escapar do vulcão Merapi, cuja erupção, ocorrida poucas horas depois do tsunami, causou mais de 20 mortes e cobriu vilas inteiras de cinzas.

Um integrante das equipes de resgate, Christian Awuy, havia dito à BBC que temia que até 50 pessoas estivessem mortas. Dezenas de outros moradores teriam sofrido queimaduras.

O especialista em vulcões do governo indonésio Subandrio explicou que a atividade vulcânica parece ter diminuído no Merapi, mas adverte que pode haver mais erupções em breve. O problema, segundo ele, é que não é possível prever quando isso deve acontecer e qual será a intensidade das novas erupções.

Outro vulcanologista, Ed Venski, do Museu de História Natural Smithsonian, em Washington, disse à BBC que o aumento da pressão dentro de um "domo de lava" no interior do vulcão pode causar mais destruição.

"Este é o maior perigo no Merapi. Ele gera uma lava pegajosa que forma um domo. Em algum momento, há uma explosão que faz com que ele desmorone ou um simples aumento na quantidade de lava faz com que ele desmorone. E isso joga enormes blocos de lava solidificada em altas temperaturas montanha abaixo", explica o especialista.

Segundo ele, esse fenômeno é muito perigoso tanto por causa do calor gerado como pelos gases tóxicos que são emitidos.

Os desastres naturais desta semana acontecem seis anos depois do violento tsunami de 2004, considerado uma das piores catástrofes dos tempos modernos, que deixou mais de 250 mil mortos em 13 países, incluindo Indonésia, Tailândia, Sri Lanka e Índia.

Em setembro de 2009, mais de mil pessoas foram mortas depois de um terremoto próximo a Sumatra.

Em 1930, uma erupção vulcânica no Monte Merapi destruiu 13 vilarejos, matando mais de mil pessoas.

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