Brasileiros em Nevada encaram eleição legislativa com indiferença

Posto de votação antecipada em Las Vegas
Image caption Pleito não anima nem mesmo os que já votaram antecipadamente

A disputa pelo Senado em Nevada é considerada uma das mais eletrizantes nestas eleições legislativas americanas, mas muitos dos brasileiros com os quais a reportagem da BBC Brasil conversou no Estado dizem estar indiferentes ao desfecho da votação do dia 2 de novembro.

“Não existe muita preocupação aqui”, disse à BBC Brasil a brasileira Samantha Johnson, 32 anos, moradora de Las Vegas.

“A comunidade brasileira em Las Vegas é diferente dos outros lugares dos Estados Unidos. A maioria está aqui legalmente”, afirma Samantha.

A eleição em Nevada é disputada pelo líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, e pela candidata do Partido Republicano, Sharron Angle, que tem o apoio do movimento conservador Tea Party.

Há meses os dois candidatos aparecem quase empatados nas pesquisas, e cientistas políticos dizem que o cenário no Estado reflete tanto o descontentamento dos eleitores com algumas políticas do governo de Barack Obama quanto a força do novo movimento conservador que vem ganhando destaque no país.

Estima-se que 12,4% dos eleitores em Nevada sejam de origem hispânica (calculo no qual os brasileiros não entram) e, segundo analistas, o voto latino pode ser decisivo no pleito.

Voto

No entanto, poucos dos brasileiros entrevistados pela reportagem da BBC Brasil afirmaram votar.

Mesmo entre os que já haviam participado do pleito – nos Estados Unidos há a opção de votar antecipadamente – o interesse nas eleições parece ser pequeno.

“Votei nos republicanos”, disse uma brasileira que não quis se identificar.

Ao ser questionada sobre quais candidatos havia escolhido para o Senado, a Câmara dos Representantes e o governo do Estado, ela não lembrou dos nomes.

“Não achei que a entrevista fosse ser tão específica assim. Anotei os nomes num papel, mas deixei em casa. Se você quiser, busco e lhe digo amanhã”, disse.

Cassinos

Image caption Eleição ao Senado em Nevada é uma das mais importantes do país

O cônsul honorário do Brasil em Nevada, Luis Antonio de Souza e Silva, calcula que entre 5 mil e 7 mil brasileiros vivam em Las Vegas. Desses, segundo o cônsul, cerca de 70% estão no país legalmente.

Cidades como Las Vegas e Reno têm sua economia baseada no turismo e nos cassinos, setores que empregam a maioria dos brasileiros que vivem em Nevada e que costumam contratar apenas imigrantes em situação legal, diz o cônsul.

Em outros Estados, comunidades de imigrantes temem que uma possível vitória de candidatos conservadores acabe impulsionando sentimentos anti-imigração ou iniciativas como a polêmica lei do Arizona, que torna crime estadual a presença de ilegais.

No entanto, segundo os entrevistados pela BBC Brasil, os brasileiros em Nevada não estão tão preocupados com essa possibilidade.

“Las Vegas não vai tomar nenhuma atitude contra os imigrantes. Quem manda aqui são os cassinos. Se houver algum tipo de ação ou sentimento anti-imigrante, as pessoas vão deixar de vir”, diz Cecília Cajueiro, também moradora da cidade.

Decepção

Os brasileiros parecem compartilhar da decepção de muitos eleitores americanos com os candidatos e a situação econômica do país.

O ritmo lento da recuperação da economia americana, que saiu da recessão, mas continua com taxa de desemprego em torno de 10%, é apontado por analistas como um dos motivos da queda nos índices de popularidade do presidente Obama e, consequentemente, do apoio ao Partido Democrata.

Nevada foi um dos Estados mais afetados pela crise, e a comunidade brasileira sofreu os impactos dos problemas da economia.

“A crise afetou muito a comunidade. Vários brasileiros ficaram sem trabalho. Alguns trabalhavam em turno integral e tiveram a carga horária reduzida. Muita gente foi embora”, diz Samantha Johnson.

Um paulista que vive há 21 anos nos Estados Unidos e também preferiu não se identificar disse que pretendia votar em Sharron Angle para o Senado.

“É mais um voto contra o Harry Reid”, disse o brasileiro, que costuma votar sempre no Partido Republicano, mas em 2008 ajudou a eleger Obama “não por causa do partido, mas pela pessoa”.

Analistas dizem que para muitos eleitores de Nevada, a escolha parece ser entre o pior dos males, já que Reid é associado a políticas impopulares de Obama, e Angle a posições consideradas de "extrema direita" por causa de sua proximidade com o Tea Party.

Os brasileiros com os quais a BBC Brasil conversou parecem concordar com a avaliação.

“Não sei qual dos dois é pior” diz a carioca Neide Marzola, 52 anos, há 22 nos Estados Unidos, referindo-se a Reid e Angle.

“Neste ano, não votei. Essa eleição não afeta em nada a minha vida”, afirma.

Notícias relacionadas