Novo campo do pré-sal pode ter de 3,7 a 15 bilhões de barris, diz ANP

Plataforma da Petrobras
Image caption Libra pode superar atuais reservas provadas brasileiras, diz ANP

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) anunciou nesta sexta-feira que o volume de petróleo recuperável no reservatório de Libra – que fica no pré-sal da Bacia de Santos – pode variar entre 3,7 bilhões e 15 bilhões de barris.

Segundo comunicado divulgado pela ANP, a estimativa mais provável é de que a reserva seja de 7,9 bilhões de barris, de acordo com avaliação da certificadora Gaffney, Cline & Associates.

A ANP afirma que somente as reservas de Libra podem vir a ter volume de óleo recuperável superior às atuais reservas brasileiras, que são de cerca de 14 bilhões de barris.

Até agora, o maior campo de petróleo conhecido do pré-sal é o reservatório de Tupi, cujo volume de óleo estimado é de entre 5 e 8 bilhões de barris.

Ex-diretor da ANP, o geólogo John Forman ressalta a importância do anúncio: “O valor das nossas reservas é da mesma ordem de grandeza, portanto um campo com o potencial de Libra nada menos que dobraria o petróleo que temos no Brasil.”

Já o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, questiona o a divulgação do número pela ANP, pois a margem de erro é muito ampla. “O intervalo é imenso. Se forem 3,7 bilhões de barris, é uma coisa. Se forem 15 bilhões, é algo muito, mas muito diferente.”

Pires afima que o único dado concreto que o número divulgado confirma é que “existe bastante petróleo na camada pré-sal, e ponto” e critica um possível uso eleitoreiro dessas informações.

Poço

O poço de Libra situa-se a 183 km da costa do Rio de Janeiro, mais próximo que Tupi, que está a 300 km do litoral. A lâmina d’água no local – ou seja, a distância entre o fundo e a superfície – é de 1.964 metros.

Até o momento, a profundidade atingida no poço em Libra é de 5.410 metros, com 22 metros perfurados no pré-sal.

A perfuração ainda deve alcançar 6.500 metros de profundidade, meta estimada para dezembro. Só a partir da perfuração em outros pontos será possível ter uma estimativa mais precisa.

De acordo com Pires, Libra tem uma vantagem em relação a Tupi, até agora a ‘menina dos olhos’ do pré-sal, com estimativa de 5 a 8 bilhões de barris de petróleo. Fica a 183 km da costa, contra os 300 km o primeiro.

A menor distância pode facilitar a exploração. “Mas a perfuração é muito profunda, e há fronteiras tecnológicas para superar”, alerta.

Reservas

Os campos do pré-sal ainda não entram na conta das reservas confirmadas do país.

Assim, aos 14 bilhões de barris com que o país conta hoje somam-se, depois de confirmados, os 5 a 8 bilhões de Tupi, os 3,7 a 15 bilhões de Libra e as estimativas para outros campos do pré-sal – como Iara, Guará e o pré-sal de Parque das Baleias.

Libra pertence à União, mas a perfuração está sendo realizada pela Petrobras, contratada pela ANP.

O mesmo ocorreu em Franco, área do pré-sal a 32 km de distância de Libra. Em maio, a estimativa divulgada para o campo apontou para volumes recuperáveis da ordem de 4,5 bilhões de barris de petróleo.

A área do pré-sal se estende do Espírito Santo até o norte de Santa Catarina. Tem cerca de 800 km de extensão e 200 km de largura. Além de Franco, Libra e Tupi, a Petrobras tem estimativas para outras áreas com petróleo abaixo da camada de sal: Guará teria entre 1,1 a 2 bilhões de barris; Iara, de 3 a 4 bilhões; e o pré-sal do Parque das Baleiras, de 1,5 a 2 bilhões.

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