Jovem suspeita de ter enviado explosivos aos EUA é libertada no Iêmen

Explosivos estavam dentro de impressoras endereçadas aos Estados Unidos
Image caption Explosivos estavam dentro de impressoras endereçadas aos EUA

Autoridades iemenitas libertaram neste domingo a estudante suspeita de ter enviado explosivos cujo destino final eram os Estados Unidos. As bombas foram interceptadas na Grã-Bretanha e em Dubai.

A jovem de 22 anos, Hanan al-Samawi, havia sido detida no sábado com sua mãe. Agora, as suspeitas do envio recaem sobre um suposto fabricante de bombas da Al-Qaeda, informa o correspondente da BBC no Oriente Médio, Jon Leyne, no Cairo.

As autoridades informaram inicialmente que ela era uma estudante de medicina. Depois, divulgou-se que ela estuda engenharia da computação na Universidade de Sanaa.

Al-Samawi havia sido rastreada por seu número de telefone e outros dados que, segundo seus acusadores, haviam sido deixados para atrás após ela supostamente enviar as bombas do Iêmen.

Seu advogado diz que al-Samawi é inocente e que não tem conexões com grupos extremistas. Um pequeno grupo fez uma manifestação em sua defesa na Universidade de Sanaa, e seu pai havia entrado em contato com um grupo de direitos humanos para ajudar na defesa da filha, segundo a imprensa local.

As autoridades concluíram que a identidade de al-Samawi foi roubada e que não foi ela quem assinou a autorização de envio dos explosivos.

Uma autoridade iemenita disse, em condição de anonimato, que al-Samawi foi solta sob fiança e não poderá deixar o país enquanto as investigações estiverem em curso.

Fabricante de bombas

Com a libertação da jovem, o principal suspeito torna-se Ibrahim Hassan al-Asiri, suposto fabricante de bombas e um dos líderes da Al-Qaeda na Península Arábica.

Ele teria organizado o ataque suicida contra o chefe do serviço secreto saudita, Prince Mohammed bin Nayef, que sobreviveu ao ataque. Neste atentado foi usado o mesmo tipo de explosivo encontrado nos pacotes, o PETN (pentaeritritol).

O principal assessor da Presidência americana para assuntos de segurança nacional e contraterrorismo, John Brennan, afirmou que autoridades dos Estados Unidos acreditam que a mesma pessoa fabricou as bombas escondidas em impressoras e a bomba transportada em uma tentativa de ataque em dezembro de 2009 num voo entre Amsterdã e Detroit. O ataque frustrado trazia as marcas registradas da organização terrorista Al-Qaeda.

Brennan informou ainda que os Estados Unidos também voltaram a examinar a queda ainda não explicada de um avião de carga da UPS em Dubai, ocorrida em setembro, para tentar descobrir algum fato novo.

As autoridades iemenitas estão ampliando as buscas por outros suspeitos de envolvimento no envio dos pacotes de explosivos.

Aviões de passageiros

Também neste domingo, a companhia aérea Qatar Airways informou que um dos dois pacotes com explosivos vindo do Iêmen foi transportado em dois aviões de passageiros antes de sua apreensão em Dubai.

Até o momento, acreditava-se que os pacotes tinham sido transportados em aviões de carga.

Mas um dos dispositivos foi transportado em um Airbus A320 da companhia, saindo da capital do Iêmen, Sanaa, para Doha, segundo informações da Qatar Airways dadas à BBC. Em seguida, o pacote foi transferido para outro avião da Qatar Airways, que foi para Dubai, onde o pacote foi apreendido pela polícia.

A companhia aérea não informou que o tipo de avião de passageiros foi usado para transportar o dispositivo entre Doha e Dubai, mas afirmou que provavelmente foi um A320, um A321 ou um Boeing 777.

"A Qatar Airways pode confirmar que uma encomenda recente foi levada a bordo de uma de suas aeronaves, de Sanaa para Dubai, via Aeroporto Internacional de Doha", declarou a companhia em sua página na internet.

A transportadora também declarou que, de acordo com a Convenção de Chicago, "não é responsabilidade do país no qual a carga transita examinar (a carga) com raio-X ou cães farejadores. Esta responsabilidade é do país de origem da encomenda".

"Além do mais, os explosivos descobertos eram de uma natureza sofisticada, por isso não podiam ser identificados com raio-X ou por cães farejadores. Os explosivos foram descobertos apenas depois do recebimento de informações secretas", acrescentou a declaração.

Os dois pacotes, interceptados na sexta-feira por autoridades da Grã-Bretanha e de Dubai, iriam do Iêmen aos Estados Unidos, desencadeando alertas nos EUA, na Grã-Bretanha e no Oriente Médio.

As duas bombas estavam dentro de cartuchos de impressoras e endereçadas a sinagogas nos Estados Unidos. Um dos pacotes foi interceptado no aeroporto de East Midlands, na Grã-Bretanha e, segundo o primeiro-ministro britânico, David Cameron, o explosivo foi projetado de modo a explodir a aeronave.

Um segundo objeto que continha explosivos foi encontrado num avião em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

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