Entenda os novos acordos militares entre França e Grã-Bretanha

Esboço de porta-aviões planejado pelo ministério da Defesa britânico
Image caption Os países devem compartilhar o uso de porta-aviões

O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, se reuniram nesta terça-feira, em Londres, para assinar dois tratados de cooperação para a área da Defesa - um para testes nucleares e outro que prevê operações militares conjuntas.

Por que eles estão assinando esse acordo agora?

A Grã-Bretanha e a França desejam manter seu status de potências militares globais. Ambos os países estão fazendo grandes cortes em seus gastos públicos. Eles decidiram, portanto, unir suas forças.

Falando à BBC, o secretário de Defesa da Grã-Bretanha, Liam Fox, disse que, juntos, os dois países respondem por 50% dos gastos europeus com Defesa e cerca de 65% dos gastos do bloco com pesquisa e desenvolvimento nesse setor.

Fox disse que faz sentido as nações trabalharem juntas para assegurar um uso mais eficiente dos recursos.

Como será na prática essa cooperação militar?

A partir do próximo ano, haverá exercícios conjuntos de treinamento com tropas britânicas e francesas, para prepará-las para atuar em uma nova força de reação rápida.

Não se trata de uma brigada conjunta fixa. A nova força será requisitada, quando necessário, a partir de um conjunto de tropas dos dois países.

A força será posicionada por decisão política conjunta dos dois países, atuando sob ordens de um único comando britânico ou francês.

Pelo acordo, quando o porta-aviões Charles de Gaulle estiver em manutenção (porta-aviões costumam passar cerca de 30% de seu tempo sendo reparados) militares franceses poderão usar o porta-aviões britânico, se a Grã-Bretanha concordar. Os britânicos também vão poder requisitar o uso da embarcação francesa.

Os dois países também financiarão em conjunto treinamento, manutenção e logística do novo porta-aviões A400M, que ambos estão adquirindo. Existem planos a longo prazo para o trabalho em conjunto em uma série de programas, incluindo comunicações por satélite, segurança cibernética, o desenvolvimento de novo sistema de mísseis e aeronaves não-tripuladas, controlados remotamente.

Quais vão ser as atividades conjuntas envolvendo o programa nuclear?

Armas nucleares não serão divididas, mas o acordo prevê duas instalações para teste de armas nucleares. As instalações em Aldermaston (Grã-Bretanha) e Valduc (França) vão ter áreas separadas para os testes de cada país e cientistas britânicos e franceses vão trabalhar nos dois locais.

Os testes devem ocorrer na França e o desenvolvimento de tecnologia, na Grã-Bretanha. Os dois países vão desenvolver juntos uma forma de testar ogivas nucleares, quanto a segurança e eficácia, sem ter que detoná-las. Os países afirmam que vão seguir o novo Tratado para a Proibição de Testes Nucleares, que proíbe explosões, embora o acordo ainda não vigore.

Mas os dois países vão manter seus segredos nucleares e seus sistemas nucleares distintos. O analista político da BBC Nick Robinson disse que os testes conjuntos devem levar ao corte de empregos na Grã-Bretanha.

França e Grã-Bretanha vão se tornar dependentes um do outro?

Eles dizem que não, mas a oposição trabalhista britânica afirmou que o acordo pode ser o início “de uma era onde contamos com nossos aliados para suprir as falhas de nossa política para a Defesa”.

Há um certo mal-estar na Grã-Bretanha a respeito de soldados britânicos sendo comandados por oficiais franceses. O secretário de Defesa britânico disse que isso já pode ocorrer em operações da Otan e insistiu que a Defesa do país permanecerá soberana e os países “operariam juntos quando for de nosso interesse mas mantendo nossa capacidade de agir independentemente quando nossos países requisitarem”.

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