Americanos vão às urnas em eleição vista como referendo sobre Obama

Barack Obama
Image caption Presidente tem criticado doações anônimas à campanha eleitoral

Os americanos votam nesta terça-feira para renovar a Câmara dos Representantes e parte do Senado numa eleição considerada um veredicto sobre os dois primeiros anos do governo do presidente Barack Obama.

Nesta segunda-feira, último dia de campanha, candidatos democratas e republicanos fizeram um esforço final para conquistar os eleitores.

O presidente, porém, depois de um roteiro por quatro Estados no fim de semana em apoio a candidatos democratas, passou o dia em Washington.

Segundo a Casa Branca, Obama decidiu passar os últimos momentos da campanha dando entrevistas e telefonando a voluntários e eleitores.

Pesquisas de opinião e analistas políticos afirmam que o Partido Democrata, de Obama, deve perder a maioria na Câmara dos Representantes.

No Senado, a situação permanece indefinida, e candidatos republicanos e democratas aparecem empatados em pesquisas em vários Estados.

Veredicto

Estão em jogo todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 37 das 100 vagas no Senado.

Também serão eleitos 37 governadores. Em alguns Estados, os eleitores vão decidir ainda sobre questões locais, como a legalização da maconha na Califórnia.

O ritmo lento da recuperação da economia americana – que, apesar de ter superado a recessão, ainda sofre com uma taxa de desemprego de quase 10% – e a queda na popularidade do presidente são alguns dos fatores apontados por especialistas como decisivos nesta eleição.

Nesse cenário, ganharam força candidatos republicanos apoiados pelo movimento conservador Tea Party, que reúne centenas de grupos espalhados pelo país e é contra políticas do governo Obama e a interferência do Estado em diversos setores da sociedade.

Financiamento

A campanha para as eleições legislativas deste ano também foi marcada por grandes doações financeiras de grupos independentes, especialmente a candidatos republicanos, indicando uma tendência para a corrida presidencial de 2012, segundo especialistas.

Grupos conservadores como o American Crossroads – que tem entre seus fundadores Karl Rove, um dos principais assessores do ex-presidente George W. Bush – têm investido milhões de dólares em campanhas de candidatos republicanos.

Um levantamento do site Open Secrets, que monitora o financiamento de campanhas, indica que o American Crossroads gastou mais de US$ 20 milhões (cerca de R$ 34 milhões) nesta campanha.

Essas contribuições financeiras foram facilitadas por uma decisão da Suprema Corte, no início deste ano, quando passaram a ser permitidas doações anônimas de empresas às campanhas eleitorais, medida criticada por Obama diversas vezes, inclusive em seu discurso do Estado da União.

Impacto

Especialistas afirmam que os gastos dos grupos independentes devem aumentar na corrida presidencial de 2012.

Uma pesquisa encomendada pelo jornal The Washington Post e pela rede de TV ABC News divulgada nesta segunda-feira indica que menos da metade dos democratas conservadores ou moderados considera muito importante saber quem está pagando pelos anúncios de campanha.

O analista político do jornal Chris Cillizza afirma que a Casa Branca vem se esforçando em caracterizar doações de grandes grupos conservadores como pouco transparentes e como evidência de que “os republicanos estão tentando comprar a eleição”.

Segundo o analista, porém, o resultado da pesquisa sugere que esse esforço não será suficiente para fazer os eleitores mudarem de opinião nesta terça-feira.

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