Estados Unidos

Em meio a votação decisiva, Obama faz último apelo por apoio a democratas

  Democratas Republicanos Independentes
Senado 53 47 0
Câmara de Representantes 189 239 0

Enquanto milhares de eleitores americanos vão às urnas em todo o país para renovar a Câmara dos Representantes, um terço do Senado e eleger governadores em 37 Estados, o presidente Barack Obama fez um apelo nesta terça-feira para motivar seus apoiadores a votar.

Diante de pesquisas de intenção de voto e análises de cientistas políticos que prevêem que seu partido, o Democrata, deverá perder o controle da Câmara dos Representantes para os republicanos, Obama fez uma última tentativa de conquistar apoio para os candidatos democratas.

Em um e-mail enviado a seus partidários, o presidente agradeceu o apoio às conquistas de seus dois primeiros anos de governo, como as reformas da saúde e do sistema financeiro e a retirada de tropas do Iraque, e pediu que compareçam às urnas.

“Esse movimento nunca disse respeito a uma única eleição. Diz respeito a construir um movimento por mudança que dure. É entender que, na América, qualquer coisa é possível se nós estivermos dispostos a trabalhar e lutar por isso e, mais do que tudo, acreditar”, diz a mensagem.

“Nosso trabalho nas últimas semanas e meses esteve focado nessa luta, e hoje, o país vai fazer uma escolha sobre a direção que vamos tomar nos próximos anos”, afirma Obama no texto.

O presidente também telefonou, pelo segundo dia consecutivo, a diversas estações de rádio espalhadas pelo país, em entrevistas para ajudar a impulsionar o desempenho dos democratas.

Mudança de poder

Barack Obama

Em um e-mail, Obama também agradeceu o apoio a reformas como a da saúde e a retirada do Iraque

No entanto, apesar dos esforços, a previsão é de que estas eleições legislativas marquem uma mudança de poder no Congresso.

Estão em jogo todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 37 das cem vagas do Senado.

Para assumir o controle da Câmara, os republicanos precisam conquistar 39 cadeiras – resultado que deixaria os democratas, que hoje têm 255 vagas, com 216 cadeiras.

Analistas prevêem que os candidatos republicanos consigam esse resultado sem muitas dificuldades.

No Senado, os republicanos precisariam ganhar 10 cadeiras para obter o controle.

Até a véspera da votação, porém, candidatos dos dois partidos permaneciam empatados em vários Estados, e ainda não é possível prever o resultado, mas a expectativa dos analistas é de que os democratas percam algumas cadeiras.

Dificuldades

Segundo analistas, caso os republicanos realmente ganhem a maioria em uma das Casas – ou nas duas – Obama deverá enfrentar dificuldados para aprovar suas propostas até o fim de seu mandato.

A eleição vem sendo encarada como um veredicto sobre os dois primeiros anos do governo de Obama, que assumiu prometendo mudanças mas ainda não conseguiu implementar muitos de seus projetos.

Os Estados Unidos conseguiram sair da recessão, mas o ritmo da recuperação econômica tem sido considerado lento demais para reduzir a taxa de desemprego, que permanece há vários meses em torno de 10%.

Especialistas afirmam ainda que as grandes conquistas dos primeiros anos de Obama na Casa Branca, como as reformas da saúde e do sistema financeiro, exigiram medidas impopulares e resultaram em queda nos índices de aprovação do presidente.

Nesse cenário de descontentamento da população e de uma certa apatia dos democratas, os republicanos ganharam força, ajudados pela popularidade do Tea Party, movimento que não é um partido político e reúne centenas de grupos conservadores espalhados pelo país.

Os membros do Tea Party se opõem às políticas do governo Obama e à presença do Estado em diversos setores da economia, e muitos candidatos republicanos apoiados pelo movimento ganharam destaque nesta campanha – em muitos casos desbancando políticos tradicionais do Partido Republicano nas primárias.

Apuração

As urnas primeiras começam a ser fechadas às 18h no horário de Washington (20h em Brasília), nos Estados de Indiana e Kentucky.

Resultados parciais são esperados uma hora depois. O último Estado a encerrar a votação será o Alasca, à 1h da madrugada em Washington (3h em Brasília).

Em muitos dos Estados, além votar em candidatos ao Congresso e aos governos locais, os eleitores também participarão de referendos a respeito de cerca de 160 medidas.

Em um dos mais polêmicos, eleitores da Califórnia decidirão se apóiam ou não a legalização da maconha no Estado.

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