Para Lula, protecionismo e guerra cambial travam solução da crise

Presidente Lula
Image caption Presidente disse esperar que o G20 debata questões cambiais e comércio

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira que o G20 precisa discutir o fim do protecionismo e a questão cambial se quiser encontrar soluções definitivas para a crise econômica global.

Às vésperas de sua partida para o encontro do grupo de países emergentes e industrializados, o presidente emitiu um “alerta” para que os países ricos olhem para a atividade econômica em suas economias em vez de adotar medidas cambiais com o propósito de lhes dar uma competitividade artificial no mercado externo.

“Nós estamos alertando: se não for resolvido o problema do crédito, do consumo e do câmbio, e tudo isso está ligado aos problemas no aumento da produção nos países ricos, nós poderemos continuar a ter a economia debilitada”, disse o presidente, em Moçambique, onde fez escala antes de seguir para a Coreia do Sul.

Lula disse que “a única maneira de evitar a crise é aumentar o comércio entre os países e evitar o protecionismo”. Além disso, afirmou, “os países precisam de políticas anticíclicas para gerar emprego, renda e crescimento”.

O presidente brasileiro disse que espera haver no G20 um “debate” sobre temas como política monetária, política cambial e comércio.

“As pessoas fingem que não levamos dez anos discutindo a necessidade de fazer um acordo comercial que era o acordo de Doha. Já faz dois anos e a gente não retomou. Sem que haja um aumento do comércio, do consumo e da produção, fica difícil resolver o problema da crise.”

Sobre a questão do câmbio, Lula disse que “não é correto que os países tomem decisões sem levar em conta a consequência do acontecimento em outos países”.

Ele se referia ao anúncio, na semana passada, de que o Federal Reserve (banco central dos Estados Undos) injetaria US$ 600 bilhões na economia americana até junho de 2011.

A medida foi criticada por vários países por seu potencial de aumentar ainda mais o fluxo de capital estrangeiro para mercados emergentes, sobrevalorizando as moedas locais.

“Quando um país que produz a moeda resolve desvalorizar a sua moeda no intuito de aumentar a sua competitividade no mercado internacional, causa transtornos a outros países.”

Palpite

Lula criticou os países ricos por tentar ensinar os países mais pobres a lidar com crises no passado. O presidente indicou que agora os papéis se inverteram.

“Como os países ricos habitualmente tentavam dar lições ao Brasil de como a gente fazer, seria importante que humildemente agora eles fossem aprender o que é que nós fazemos para que eles pudessem adotar políticas iguais”, criticou.

“Quando a crise ocorria na Nicarágua, na Bolívia, ou no Brasil, estava cheio de palpiteiros que davam palpite sobre como resolver a crise nos países pobres. Agora que a crise foi nos países ricos, não tem ninguém dando palpite, então eu estou dando um palpite: façam como se faz no Brasil que as coisas ficam mais fáceis.”

O presidente se queixou também da demora para encontrar uma saída para a crise da Grécia, um “país pequeno” cuja deterioração econômica contaminou toda a Europa.

Bom para os EUA, bom para o Brasil

Lula comentou também a afirmação do presidente americano, Barack Obama, sobre as medidas adotadas pelos EUA na área econômica. Segundo Obama, se as medidas são boas para a economia dos EUA, também são boas para o mundo.

“É bem possível, porque as que foram ruins foram ruins para nós. Quando os EUA erram, o efeito de um erro americano pode causar transtorno em vários outros países. Quando a política americana aumenta o consumo, o emprego, a renda e o poder de compra das pessoas, isso é bom. É bom para a Europa, para o Brasil, para a América Latina.”

"Agora o que é verdade é que o que é bom para os EUA é bom para os EUA, e o que é bom para o Brasil, é bom para o Brasil. Assim fica melhor, mais claro e mais soberano o comportamento de cada país.”

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