Bomba interceptada em avião estava programada para explodir nos EUA, dizem investigadores

Pacote interceptado no Iêmen continha fios e pó branco (AFP)
Image caption Pacote interceptado no Iêmen continha fios e pó branco

Análises feitas em um pacote explosivo interceptado recentemente na Grã-Bretanha, vindo do Iêmen, indicam que ele parecia estar programado para explodir no leste dos Estados Unidos, informou nesta quarta-feira a polícia britânica.

A bomba havia sido enviada pelo correio no Iêmen e descoberta pela polícia em 29 de outubro, antes que pudesse seguir viagem aos EUA. A descoberta foi feita a partir de informações passadas por um ex-militante da Al-Qaeda, e o braço do grupo extremista na Península Arábica reivindicou a autoria da tentativa de ataque.

Outro explosivo foi interceptado e desativado em Dubai, no mesmo episódio. Ambos estavam endereçados a sinagogas em Chicago, e a programação na bomba interceptada em solo britânico confirma, segundo autoridades, que o interesse dos extremistas era atingir um alvo americano, e não europeu ou no Oriente Médio.

O jornalista da BBC Frank Gardner, especializado em segurança, explica que os investigadores britânicos estão trabalhando com a ideia de que, ainda que a Al-Qaeda não pudesse prever a rota exata dos pacotes, queria mostrar que tinha a capacidade de preparar uma bomba para uma longa viagem que culminaria no leste dos Estados Unidos.

Segundo comunicado das autoridades britânicas, o explosivo foi interceptado cerca de três horas antes que fosse ativado para explodir, o que provavelmente ocorreria durante o voo.

Alerta

Os dois pacotes interceptados continham explosivo PETN, difícil de ser identificado, e passaram despercebidos das autoridades aeroportuárias do Iêmen. Foram postados e enviados pelas empresas americanas de entregas FedEx e UPS.

Um deles passou por Dubai até chegar ao aeroporto britânico de East Midlands, onde foi identificado. O segundo foi encontrado em Dubai, após viajar em aviões de passageiros em sua passagem pelo Catar.

O episódio colocou em alerta autoridades europeias e americanas.

Na sexta-feira passada, a Al-Qaeda na Península Arábica reivindicou o envio das bombas em mensagens postadas em sites islâmicos, onde também disse que estava por trás da queda de um avião da transportadora UPS em Dubai, ocorrida em setembro. O acidente deixou dois mortos.

Em mensagem ao presidente dos EUA, Barack Obama, o grupo disse que continuará “a atacar interesses americanos e o interesse de aliados americanos”.

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