Emergentes cumprem menos resoluções do G20, diz levantamento

Centro de convenções em Seul onde ocorrerá a reunião do G20
Image caption Segundo a pesquisa, Coreia do Sul é país emergente mais comprometido com ações do G20

Os países emergentes integrantes do G20 (grupo das 20 principais economias do mundo) vêm cumprindo menos as resoluções das reuniões do grupo do que os países desenvolvidos, segundo levantamento feito pelo G20 Research Group, da Universidade de Toronto, no Canadá.

Segundo o estudo, que analisou o nível de cumprimento dos países às oito resoluções aprovadas na última reunião de cúpula do G20, realizada em Toronto em junho, o Canadá, anfitrião da última cúpula, foi o país que mais cumpriu resoluções, seguido de Grã-Bretanha e Austrália.

Entre os dez primeiros da lista, estão os sete integrantes do G7 (o grupo das sete nações mais industrializadas do planeta), além da União Europeia, que participa como um dos integrantes do G20, e da Austrália, país desenvolvido que não está no G7.

A única exceção emergente entre os países que mais cumpriram as resoluções da última cúpula é a Coreia do Sul, sétima na lista, atual presidente temporária do bloco e anfitriã da reunião de cúpula que começa nesta quinta-feira, em Seul.

Atrás da Coreia do Sul, o Brasil é o emergente que mais cumpriu as resoluções do G20, na 11ª posição na lista, seguido da China.

A divisão entre países desenvolvidos e em desenvolvimento em relação ao cumprimento das resoluções ficou ainda mais acentuada do que na cúpula anterior, em Pittsburgh, em setembro do ano passado, quando havia três emergentes entre os dez países que mais cumpriram as decisões.

O resultado do levantamento pode ser motivo de embaraço aos países emergentes, que lutam por mais espaço nas decisões internacionais.

Como resultado da crise econômica global, que atingiu mais fortemente os países desenvolvidos, o G20 acabou superando o G7 e o G8 (que inclui também a Rússia) como principal fórum de discussão dos principais problemas econômicos globais.

Originalmente um grupo formado pelos ministros de Finanças e presidentes dos Bancos Centrais dos países membros, o G20 passou a realizar encontros de cúpula com presidentes e primeiros-ministros a partir da eclosão da crise, em 2008.

Notas

O levantamento da Universidade de Toronto examinou as políticas adotadas pelos países do grupo para cada uma das resoluções nas áreas de políticas macroeconômicas, reforma do FMI, desenvolvimento, finanças, alimentos e agricultura, comércio, corrupção e energia.

Para cada item, o levantamento atribuiu uma nota para cada país: nota +1 para adoção de políticas que cumprem a resolução, 0 para nenhuma política adotada sobre o tema e -1 para políticas que contrariam a resolução.

Somando as notas para os itens e dividindo pelo número de resoluções, o estudo chegou a uma nota geral para cada país.

O Canadá, país que mais cumpriu as resoluções, teve nota 0,78. A Índia, país que menos cumpriu, recebeu nota -0,20. O Brasil ficou com 0,29, uma posição atrás dos Estados Unidos (nota 0,38) e uma à frente da China (nota 0,25).

Segundo o levantamento, a nota média dos 20 integrantes do G20 para o cumprimento das resoluções da cúpula de Toronto ficou em 0,27, pouco superior à média dos encontros anteriores, de Pittsburgh, em setembro de 2009 (0,24), e Londres, em abril de 2009 (0,23).

O estudo aponta que a reforma do FMI, que foi aprovada na reunião ministerial preparatória realizada no mês passado na Coreia do Sul, foi o item com o maior nível de cumprimento (nota média de 0,9). O item com o menor nível de cumprimento foi em relação a políticas de combate à corrupção (nota -0,2).

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