Zona do euro enfrenta 'crise de sobrevivência', diz Conselho Europeu

Herman Van Rompuy
Image caption Rompuy pediu 'trabalho conjunto' para 'sobreviver'

A União Europeia enfrenta uma “crise de sobrevivência” por conta dos deficits na zona do euro, advertiu nesta terça-feira o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy.

Em discurso pouco antes da reunião, em Bruxelas, de ministros das Finanças do bloco europeu para tratar de sua estabilidade econômica, Rompuy disse que, se o euro fracassar, a UE também fracassará.

Países como Irlanda e Portugal vivem situação preocupante, e não se sabe se conseguirão lidar com seus deficits sem a ajuda de fundos da UE. Suas crises são alvo de escrutínio na reunião desta terça.

E, na segunda-feira, estatísticas da UE mostraram que a dívida da Grécia – país que já está recebendo empréstimos bilionários do FMI – é ainda maior do que se pensava anteriormente.

Rompuy se disse “muito confiante” de que os problemas serão resolvidos, mas afirmou que “todos temos que trabalhar juntos para que sobrevivamos com a zona do euro. Caso contrário, não sobreviveremos com a União Europeia”.

Irlanda e Portugal

O ministro das Finanças de Portugal, Fernando Teixeira dos Santos, indicou que seu país está disposto a aceitar um pacote de resgate financeiro e instou a Irlanda a fazer o mesmo.

A Irlanda havia afirmado que não pretende recorrer a fundos europeus. No entanto, a imprensa irlandesa afirmou nesta terça-feira que, sob pressão de outros países – que temem o contágio da crise –, Dublin pode capitular e aceitar um resgate para seus bancos endividados.

O ministro irlandês para a Europa, Dick Roche, admitiu os problemas financeiros de seu país, mas prometeu novos cortes no orçamento e pediu “solidariedade” de seus colegas europeus na reunião de Bruxelas.

“Não acho que a resposta apropriada (para a crise) seja o pânico dos ministros das Finanças”, disse.

O correspondente da BBC em Bruxelas Matthew Price afirma que a Irlanda não pode ser forçada a aceitar o resgate, mas instabilidades no mercado financeiro podem exercer pressão sobre o país.

Orçamento europeu

Enquanto isso, o presidente da Comissão Europeia (braço executivo da UE), José Manuel Barroso, disse que alguns membros da UE deram um “golpe” na Europa ao bloquear o orçamento de 2011 do bloco.

“Um pequeno número de Estados-membros não estava preparado para negociar no espírito europeu”, disse.

França, Alemanha e Grã-Bretanha estão entre os países que se opuseram aos parlamentares europeus e à Comissão Europeia e rejeitaram o aumento proposto de 6% no orçamento do bloco.

As negociações sobre o tema fracassaram na manhã desta terça-feira. Se não houver acordo até dezembro, o orçamento deverá ser mantido no nível de 2010.

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