Nos EUA, deportações atingem recorde no governo Obama

Mulher detida no Arizona
Image caption EUA deportaram 392.862 imigrantes ilegais no último ano fiscal

As deportações de imigrantes ilegais atingiram números recordes nos Estados Unidos durante o governo de Barack Obama, considerado mais rígido que os anteriores na fiscalização desses casos e na aplicação de penalidades.

No último ano fiscal (encerrado no fim de setembro), os Estados Unidos deportaram 392.862 imigrantes ilegais, um aumento em relação às 389 mil deportações registradas em 2009 e às 369 mil de 2008.

Além do maior número de deportações que seu antecessor, George W. Bush, o governo Obama também tem aumentado a fiscalização sobre empresas e estabelecimentos comerciais que contratam imigrantes ilegais.

Mais de 2,2 mil estabelecimentos foram investigados neste ano sob suspeita de empregarem imigrantes ilegais – em 2009, esse número foi de menos de 1,5 mil.

Segundo o Departamento de Segurança Interna, essas ações resultaram em acusações criminais contra quase 200 empregadores e mais de US$ 50 milhões (R$ 86 milhões) em multas.

Críticas

O governo americano diz que metade dos deportados no último ano fiscal eram criminosos já condenados e que estavam nos Estados Unidos ilegalmente.

Afirma ainda que cerca de um terço dos criminosos deportados haviam cometido crimes graves, como assassinato ou estupro.

Apesar das justificativas, o rigor empregado contra os imigrantes ilegais é recebido com críticas por alguns setores, que insistem na necessidade de uma ampla reforma das leis de imigração no país.

“Os imigrantes não estão apenas decepcionados com o governo Obama. Estão com raiva”, disse à BBC Brasil a ativista Sarahi Uribe, coordenadora nacional da campanha “Uncover the Truth” (Revele a Verdade, em tradução livre), que tem como foco a política de deportações do governo.

“Não conseguem acreditar que, sob o governo Obama, estejam sendo mais atacados do que já foram em décadas”, afirma Uribe.

“É simplesmente incrível que o governo vá a público dizer que sua política de deportações é um sucesso”, diz a ativista.

Desafio

A reforma das leis de imigração era uma das promessas de campanha de Obama, que foi eleito em 2008 com grande apoio dos imigrantes.

A promessa de aprovar as mudanças ainda no primeiro ano de mandato acabou adiada diante da crise econômica e da forte resistência da oposição republicana.

Obama enfrenta críticas dos dois lados: tanto dos que reclamam de rigidez excessiva e cobram uma solução mais rápida para legalizar a situação dos imigrantes que já estão no país, quanto daqueles que consideram as ações do governo brandas demais e querem maior rigor na fiscalização das fronteiras para impedir a entrada de ilegais.

Apesar de nos Estados Unidos as políticas de imigração serem responsabilidade do governo federal, muitos Estados analisam a adoção de medidas próprias para coibir a entrada de imigrantes ilegais.

O caso mais polêmico é o do Arizona, que em abril anunciou uma lei que torna crime estadual a presença de imigrantes ilegais.

A legislação provocou protestos, especialmente entre a comunidade hispânica, que considera a medida discriminatória.

A lei acabou entrando em vigor sem seus trechos mais polêmicos, que foram bloqueados pela Justiça à espera de uma decisão sobre sua constitucionalidade, mas vários outros Estados já consideram adotar medidas semelhantes.

Com quase 12 milhões de ilegais vivendo nos Estados Unidos, o tema da imigração é um dos principais desafios do presidente americano, que entra na segunda metade de seu mandato enfraquecido pela perda da maioria democrata na Câmara dos Representantes.

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