Presidente iraquiano se recusa a assinar execução de chanceler de Saddam Hussein

Tariq Aziz, em tribunal iraquiano em 2004
Image caption Aziz foi um assessor próximo de Saddam e se rendeu aos EUA

O presidente do Iraque, Jalal Talabani, se recusou a assinar a ordem de execução de um dos aliados mais próximos de Saddam Hussein, o ex-chanceler e ex-vice premiê Tariq Aziz.

Talabani disse ao canal de televisão France 24 que nunca assinaria a ordem, devido à idade de Aziz, 74 anos, e pelo fato de ele ser um cristão. O presidente iraquiano é conhecido por ser contra a pena de morte, mas ainda não se sabe se ele terá poder para suspender a execução.

De acordo com o correspondente da BBC em Bagdá Gabriel Gatehouse, em 2006 Talabani se recusou a assinar a ordem de execução de Saddam Hussein.

Mas o documento foi assinado por um dos vice-presidentes iraquianos e Saddam Hussein foi executado mesmo assim.

Desta vez, de acordo com Gatehouse, a situação é diferente, o Iraque está no meio do processo de formação de governo. Talabani foi reeleito para a presidência iraquiana na semana passada e ainda não tem vice-presidentes formais que poderiam autorizar a pena de morte em seu lugar.

E a Constituição do Iraque determina que qualquer ordem de execução precisa ser ratificada pela Presidência.

Condenação

A União Europeia, o Vaticano e a Rússia também são contra a execução de Aziz e pediram que o governo iraquiano não execute o ex-político, alegando que Aziz já está em idade avançada e tem problemas de saúde.

Aziz, que por muitos anos representou o governo de Saddam Hussein (1979-2003) no exterior, foi condenado à morte em outubro pela Suprema Corte do Iraque.

Ele foi sentenciado por crimes relacionados à perseguição de partidos xiitas nos anos 1980 e 1990.

O ex-chanceler iraquiano se rendeu aos Estados Unidos após a invasão do Iraque, em 2003. Em 2009, foi condenado a 15 anos de prisão pelo assassinato de dezenas de comerciantes iraquianos durante a Guerra do Golfo (1991).

Cinco meses depois, recebeu nova condenação, de sete anos, por seu papel no deslocamento forçado da população curda do norte do Iraque.

O correspondente da BBC em Bagdá Jim Muir relata que há um ódio visceral dentro do atual governo pelos apoiadores do antigo regime, que reprimia a maioria xiita do país.

Mas muitos não veem Aziz como culpado – como cristão, ele nunca deteve tanto poder quanto o clã sunita ao redor de Saddam –, e é possível que se forme um lobby para evitar sua execução.

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