Israel aprova retirada de cidade na fronteira do Líbano

Soldado israelense nos arredores de Ghajar
Image caption Soldados israelenses ocupam metade norte de Ghajar

O gabinete de governo de Israel aprovou nesta quarta-feira a retirada de seus soldados da metade norte de um vilarejo que, segundo a ONU, fica em território libanês.

O vilarejo de Ghajar é dividido em dois pela linha azul da ONU, uma demarcação de fronteira entre o Líbano e Israel determinada pela ONU em junho de 2000, para monitorar se Israel tinha se retirado completamente do Líbano.

Os detalhes do plano ainda serão acertados com as tropas de paz da ONU em dezembro, de acordo com o gabinete do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu.

Com a retirada dos seus soldados, Israel estará cumprindo sua parte no acordo com a ONU, mas a cidade vai permanecer dividida.

Cerca de 2 mil pessoas vivem em Ghajar, um vilarejo que já foi parte da Síria. As famílias estão espalhadas dos dois lados da linha azul e a escola e prédios municipais estão do lado israelense.

Ocupação

Israel capturou Ghajar da Síria durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Mais tarde, uma demarcação feita pela ONU do território libanês incluiu o norte de Ghajar, deixando a parte sul sob o controle israelense. Mesmo após o fim da ocupação militar de Israel no sul do Líbano, em 2000, os soldados israelenses permaneceram no vilarejo, alegando razões de segurança.

Atualmente, a maioria dos moradores de Ghajar se considera síria, apesar de muitos terem obtido a cidadania israelense durante a ocupação. A maioria é contra o controle libanês da área.

O controle da parte norte de Ghajar será entregue à Força Interina da ONU no Líbano (Unifil), cuja missão é supervisionar a paz na região de fronteira.

Fontes do setor de segurança israelense afirmaram à BBC que o acordo final deve prever que os soldados da ONU fiquem estacionados na ponta norte do vilarejo, enquanto que os soldados israelenses deverão ficar no sul. Os moradores poderão circular livremente entre as duas áreas.

Os detalhes do plano serão determinados pelo Ministério do Exterior de Israel e o comandante da Unifil, o general Alberto Asarta, nas próximas semanas. O gabinete de segurança do governo de Israel vai então aprovar o acordo final.

Israel e Líbano, por sua vez, ainda estão tecnicamente em guerra e a região na fronteira continua sendo palco de episódios de tensão. No começo de 2010, a apenas alguns quilômetros de Ghajar, soldados israelenses e libaneses foram mortos em um confronto.

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