Exército de Madagascar ataca rebeldes e encerra motim

O presidente de Madagascar, Andry Rajoelina
Image caption O presidente Rajoelina chegou ao poder em 2009 após golpe de Estado

O Exército de Madagascar atacou um acampamento militar ocupado por soldados rebeldes, encerrando um motim que durava três dias.

Segundo o site noticioso Orange, os cerca de 15 rebeldes se entregaram pouco após os disparos, e não houve mortes.

O grupo estava acampado próximo ao aeroporto da capital Antananarivo desde que anunciou ter dado um golpe de Estado, na quarta-feira.

Alguns dos rebeldes haviam participado de um golpe que levou o presidente Andry Rajoelina ao poder em março de 2009.

Rajoelina está isolado diplomaticamente desde que ascendeu ao poder – só um punhado de países reconhece o seu governo – e vem ignorando tentativas de mediadores regionais para negociar um acordo com a oposição.

O país, uma ilha no leste da África, no Oceano Índico, tem vivido instabilidades há vários anos.

Operação rápida

Centenas de soldados foram vistos a caminho do acampamento no sábado. Mas a situação foi rapidamente controlada, após os rebeldes se renderem.

O grupo anunciou ter dado o golpe de Estado enquanto os madagascarenses votavam num referendo sobre uma mudança constitucional que permitiria ao presidente Rajoelina prorrogar o seu mandato.

Após o anúncio do golpe, o governo ordenou que moradores dos arredores do acampamento militar deixassem a área.

O general Andre Ndriarijoana entrou no acampamento para conversas com os dissidentes, mas não houve progresso na negociação.

Nova Constituição

A nova Constituição em votação permitiria ao presidente atual, Andry Rajoelina, permanecer no poder até que se organizasse uma nova eleição.

Ela também baixaria o limite de idade para candidatos à Presidência de 40 para 35 anos, permitindo que o atual líder, de 36 anos, permanecesse no poder.

Rajoelina, que disse não pretender se candidatar à Presidência, organizou manifestações em favor do “sim” no referendo.

Os três principais grupos oposicionistas, cada um liderado por um ex-presidente, defenderam o boicote à votação.

Eles veem o referendo como uma tentativa de legitimar a posição de Rajoelina.

Ex-DJ e ex-prefeito de Antananarivo, ele chegou ao poder com grande apoio popular.

No entanto, segundo alguns analistas, o presidente falhou em pôr fim a disputas de poder, o que teria reduzido a sua popularidade.

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