Centenas fogem de ilha sul-coreana um dia após ataque do Norte

Image caption Bairros da ilha de Yeonpyeong foram queimados pela artilharia norte-coreana

Centenas de moradores fugiram da ilha sul-coreana de Yeonpyeng, bombardeada na terça-feira por disparos de artilharia.

Lotados, navios da guarda-costeira levaram passageiros, em grande parte idosos, ao porto de Incheon, perto da capital sul-coreana, Seul.

Pelo menos dois civis e dois soldados foram mortos no ataque norte-coreano. Os corpos dos civis eram de dois trabalhadores no setor de construção civil com mais de 60 anos.

Imagens de TV da ilha mostraram casas incendiadas e quarteirões inteiros destroçados. Pelo menos 18 pessoas foram feridas no ataque.

"Eu ouvi o som de tiros e senti que algo estava voando sobre minha cabeça", descreveu Lim Jung-eun, uma dona de casa de 36 anos. "Depois disso a montanha pegou fogo."

A Coreia do Sul respondeu ao ataque com cerca de 80 disparos em direção ao país vizinho. A Coreia do Norte disse que o seu ataque teria sido em resposta a disparos de forças sul-coreanas contra seu território e que não toleraria invasões de seu território.

Manobras

Após o incidente, os Estados Unidos e a Coreia do Sul anunciaram que realizarão exercícios militares conjuntos neste fim-de-semana perto da fronteira entre as duas Coreias.

Segundo um comunicado oficial de Washington, as manobras militares já estavam planejadas antes do ataque, e deveriam servir como forma de dissuadir a Coreia do Norte de possíves ações agressivas na fronteira.

Para o correspondente da BBC em Seul John Sudworth, o efeito de dissuasão pode ser limitado - já que o mesmo porta-aviões esteve em águas da o Sul meses atrás e a demonstração de força teve pouco impacto nas ações da Coreia do Norte.

Nesta quarta-feira, um navio porta-aviões americano deixou uma base militar em Tóquio, no Japão, rumo à Coreia do Sul.

Washington disse que os exercícios navais demonstrarão a "força" de sua aliança com a Coreia do Sul e seu "comprometimento com a estabilidade regional".

Na terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que a Coreia do Norte é uma “ameaça contínua que tem de ser enfrentada”.

Por telefone, Obama garantiu ao presidente sul-coreano que os Estados Unidos continuavam comprometidos na defesa de seus aliados.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, disse que o incidente é "um dos mais graves" desde o fim da Guerra da Coreia.

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