Greve geral afeta transportes em Portugal

Sindicalistas na indústria da Volkswagen em Palmela, arredores de Lisboa
Image caption Fábrica da Volkswagen em Palmela, a maior do país, não funcionou

A greve geral em Portugal que, pela primeira vez desde 1988, reúne as duas centrais sindicais portuguesas, afetou especialmente os serviços de transporte do país nesta quarta-feira.

Os metrôs de Lisboa e do Porto, os barcos que atravessam o rio Tejo e os portos foram completamente paralisados.

Nos aeroportos, devido à greve dos controladores aéreos, só partiram os voos para os arquipélagos dos Açores e da Madeira – que dependem dos voos para se conectar a Portugal e estão incluídos nos serviços obrigatórios em caso de greve.

Os trens suburbanos não estão cumprindo nem os serviços mínimos.

Mais de 90% das escolas estão fechadas, os hospitais só atendem emergências, a recolha do lixo parou, a grande maioria dos serviços da receita está fechada e até os tribunais estão parcialmente paralisados.

Mesmo os agentes da polícia – proibidos por lei de entrar em greve – deixaram de aplicar multas.

Impacto

A greve geral foi convocada em protesto às medidas do governo para reduzir o deficit público: corte de até 10% do salário dos funcionários públicos, congelamento das aposentadorias, diminuição do prazo do seguro desemprego, fim dos apoios sociais a quem recebe pouco e do auxílio maternidade, entre outras.

O objetivo do governo é diminuir o deficit público, de 9,3% em 2010, até menos de 3% em 2013.

Leia mais: Greve geral contra cortes paralisa principais serviços de Portugal

A greve geral transformou-se numa guerra de números entre o governo e os sindicalistas.

De um lado, o governo tenta minimizar o impacto da paralisação; do outro, os sindicatos procuram ampliar o peso do protesto.

Após um dia de greve, os dois lados se preparam para as negociações que deverão ocorrer nos próximos meses. O governo afirma que apenas 20% dos funcionários públicos deixaram de trabalhar. Para a Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), foram 70%.

“Não houve uma redução no consumo de energia, o que leva a concluir que não houve redução da atividade econômica”, afirmou a ministra do Trabalho, Helena André. O líder da CGTP ironizou: "Então o metrô de Lisboa e o do Porto, os comboios (trens) e os aeroportos não consomem energia."

Já o secretário geral da confederação União Geral dos Trabalhadores, João Proença, afirmou que a greve é a maior da história do país.

Os sindicatos apresentaram uma lista das empresas que paralisaram, incluindo a mais emblemática do país, a Volkswagen de Palmela, maior exportadora portuguesa, responsável por 15% das vendas do país no exterior.

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