Meirelles confirma sua saída da Presidência do BC

O mais cotado para assumir o cargo é o atual diretor de Normas e Organização do Sistema Financeiro do BC, Alexandre Tombini.
Image caption Meirelles deu informação a jornalistas, antes de audiência no Senado.

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, confirmou nesta quarta-feira que deixará o cargo depois da posse da presidente eleita, Dilma Rousseff.

Meirelles deu a informação em Brasília, antes de audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado que trata das perdas no Banco Panamericano.

"Eu acredito que um profissional deve iniciar e concluir a sua missão na hora certa", disse Meirelles no Senado. "Considerando o bom momento em que está o Brasil, é o momento adequado para encerrar a missão."

Meirelles disse ainda que "regras de boa prática de governança" aconselham que um presidente do Banco Central não fique mais que dois mandatos na sua função.

A saída de Meirelles já era dada como certa desde o início da semana por diversas pessoas ligadas à transição. No entanto, nenhum dos integrantes da equipe confirmava a informação oficialmente.

O mais cotado para assumir o cargo é o atual diretor de Normas e Organização do Sistema Financeiro do BC, Alexandre Tombini.

Dilma deve anunciar ainda nesta quarta-feira os integrantes de sua equipe econômica. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, é tido por muitos como nome certo para permanecer à frente da pasta no novo governo.

O possível sucessor

Alexandre Antonio Tombini nasceu em 9 de dezembro de 1963 em Porto Alegre (RS). Formado em Economia pela Universidade de Brasília (UnB), fez doutorado na Universidade de Illinois (Estados Unidos).

Antes do atual cargo, Tombini assumiu outras duas diretorias no BC: de Assuntos Internacionais, entre abril e junho de 2006, e de Estudos Especiais, entre junho de 2005 e abril de 2006.

Ele também foi assessor sênior na representação do Brasil no Fundo Monetário Internacional (FMI), entre 2001 e 2005, tendo participado de negociações dos programas brasileiros no órgão.

Em seu currículo, constam ainda passagens pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda (1992-1995) e pela Câmara de Comércio Exterior (1995-1998).

Planejamento

Também nesta quarta-feira, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse que a atual subchefe da Casa Civil e secretária-executiva do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Miriam Belchior, assumirá o seu lugar a partir de 1º de janeiro.

Depois de uma reunião com Dilma, em Brasília, Bernardo disse a jornalistas que foi convidado a participar do próximo governo, mas não confirmou em qual cargo. “Se ela me convocar eu vou participar”, afirmou, segundo a Agência Brasil.

Na primeira eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, Miriam Belchior integrou a equipe de transição. No primeiro mandato do presidente, ela participou da integração dos programas sociais que levaram à criação do Bolsa Família.

Em 2003, ela foi chamada pelo então ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, para integrar sua equipe. Depois que Dilma assumiu a pasta, Belchior ocupou a função de subchefe de Avaliação e Monitoramento.

Belchior acabou sendo responsável pela implementação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Ela também participou da seleção de projetos que entrarão no PAC 2.

A futura ministra foi cotada para substituir tanto Dilma quanto Erenice Guerra, que deixou a Casa Civil em setembro, depois de ser alvo de denúncias sobre um esquema de lobby dentro do Palácio do Planalto.

Belchior foi casada com o ex-prefeito de Santo André Celso Daniel, assassinado em 2002. Na época de sua morte, ambos já estavam separados.

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