Apesar da violência, feira de futebol no Rio comemora resultados

Policiais patrulham rua no Rio
Image caption Desde domingo, arrastões têm ocorrido em vários pontos da cidade

A série de confrontos e episódios de violência no Rio parece não ter afetado a Soccerex, feira de futebol que reúne empresários do mundo inteiro em torno das oportunidades geradas pela Copa de 2014.

De acordo com participantes, os ataques que ocorriam em outras partes da cidade durante o evento em Copacabana não comprometeram os negócios.

"Isso não muda nada para nós. Segurança é um problema complicado no mundo todo. Somos baseados em Nápoles e não é exatamente uma cidade fácil", diz o italiano Paolo Pepori, executivo da empresa italiana Gep.

Desde domingo, arrastões têm ocorrido em diversos pontos no Grande Rio, e 18 veículos foram incendiados entre a noite de terça e a quarta-feira.

Os ataques são atribuídos pelo governo estadual a uma reação de traficantes ao cerco imposto pelas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) instaladas em favelas da cidade.

De acordo com o CEO da Soccerex, Duncan Revie, os episódios de violência na cidade não foram sentidos pelos participantes da feira, que contou com a presença de 150 expositores do mundo todo.

"Esta edição foi um sucesso", diz Revie, afirmando que os participantes do evento "agora vão voltar para casa e contar como o Rio é ótimo e quantas oportunidades se apresentam diante da Copa e das Olimpíadas".

Arrastões

Perguntado sobre os arrastões, Revie conta ter ouvido perguntas semelhantes quando levou a feira para Johannesburgo antes da Copa do Mundo da África do Sul. "A resposta é simples: há inquietação e violência no mundo todo. Havia esse temor na África do Sul, e tudo correu muito bem."

A secretária estadual de Turismo, Esporte e Lazer, Márcia Lins, diz que “os únicos que vieram me perguntar sobre os arrastões aqui foram a imprensa. Mas isso não traz de forma nenhuma prejuízo para os nossos projetos, pelo contrário. A imagem do Rio continua sendo de quem está avançando muito na questão da segurança pública e é esse exemplo que a gente vai continuar dando”, afirma.

Mas o diretor da Siemens no Brasil, Sérgio Boanada, diz que teve de tranquilizar alguns participantes do evento quanto aos arrastões: “Quem está do lado de fora não consegue entender esse tipo de violência. Vê notícias na imprensa internacional e não entende que são fatos isolados. Não é bom para a imagem do Rio”.

Para Carlos Queiroz, diretor comercial da Giroflex, os episódios mostram que "existe uma guerra oculta no Rio".

"Mas o momento pelo qual o país passa e as oportunidades trazidas pela Copa e pelas Olimpíadas ainda são superiores a isso", diz.

Negócios fechados

Entre os negócios fechados na feira, Duncan Revie cita três escritórios de publicidade e marketing que decidiram se instalar no Rio, contratos "milionários" entre empresas de mídia, bem como negociação por bancos interessados em conhecer a normatização brasileira para garantir segurança na operação dos clientes que vierem para os dois grandes eventos esportivos no Brasil.

Um dos que pretendem estabelecer um escritório no Rio até 2012 é o grupo de arquitetura Populous, especializado em empreendimentos esportivos e responsável, entre outros, pelo projeto do estádio de Natal (RN), e por arenas construídas na África do Sul.

"Estamos nos voltando para as Olimpíadas de 2016, e a nossa meta é prestar consultoria para projetos na cidade com a experiência que trazemos de eventos anteriores. Há muitos componentes necessários para se preparar para uma Olimpíada, desde centros esportivos e de mídia a medidas de segurança, sistemas de transporte e projetos para facilitar o trânsito de pedestres", diz David Orlowski, arquiteto sênior do escritório.

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