Ministros europeus definem termos de ajuda financeira à Irlanda

Empréstimo será de 85 bilhões de euros, com uma taxa de juros média de 5,8% ao ano.
Image caption Primeiro-ministro disse que acordo foi o "melhor possível" para o país.

Ministros europeus fecharam neste domingo, em Bruxelas, os detalhes da ajuda financeira de 85 bilhões de euros (R$ 194,6 bilhões) à Irlanda, país que enfrenta um grave deficit fiscal e dívidas enormes em seu sistema bancário.

O acerto prevê que 35 bilhões de euros (R$ 80,1 bilhões) servirão para ajudar os bancos irlandeses, enquanto os 50 bilhões restantes (R$ 114,5 bilhões) serão um auxílio para as despesas do governo.

A taxa de juros básica do empréstimo ficará em 5,8%, contra os 5,2% acertados no resgate financeiro da Grécia, realizado em maio deste ano.

O primeiro-ministro da Irlanda, Brian Cowen, disse que o acordo foi "o melhor possível", dando "tempo e espaço vitais" ao país para resolver com sucesso seus problemas financeiros.

A ajuda a Irlanda será dada pela União Europeia (UE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). A reunião que definiu os termos do acordo ocorreu entre os 16 ministros de Finanças dos países da zona do euro, somados a três países que fizeram empréstimos diretos para a Irlanda: Grã-Bretanha, Suécia e Dinamarca.

O plano prevê que a própria Irlanda irá contribuir com 17,5 bilhões de euros (R$ 40 bilhões) para o fundo. A UE entrará com 45 bilhões de euros (R$ 103,5 bilhões), enquanto o FMI dará 22,5 bilhões (R$ 51,5 bilhões).

Segundo o acordo, a Irlanda poderá atrasar em um ano - para 2015 - o prazo para reduzir o seu deficit orçamentário para 3% do Produto Interno Bruto (PIB).

O programa de ajuda exige da Irlanda que fortaleça "imediatamente" o seu sistema financeiro, adote medidas para reduzir o deficit público e implemente ações que induzam o crescimento, especialmente em termos de mercado de trabalho.

O governo irlandês informa que, até 2014, mais de 20% da arrecadação de impostos será destinada para o pagamento de juros de toda a dívida pública do país.

Taxa de juros

Houve muita negociação a respeito da taxa de juros que deveria ser cobrada da Irlanda no resgate financeiro.

Segundo o editor de Economia da BBC Robert Peston, a Alemanha pressionou para que a taxa ficasse em torno de 7%, para que o empréstimo não parecesse se tratar de "dinheiro barato".

O valor fechado de 5,8% ficou acima dos 5% desejados pela Irlanda, mas o primeiro-ministro aceitou o valor, argumentando que o auxílio financeiro era necessário.

Protestos

No sábado, dezenas de milhares de pessoas foram às ruas em Dublin para protestar contra o plano de austeridade anunciado nesta semana pelo governo. Os manifestantes também criticaram o plano de ajuda ao país.

Sindicatos afirmam que mais de 100 mil pessoas participaram do protesto, mas a polícia irlandesa estimou que o número ficou em torno de 50 mil manifestantes.

Mcdara Doyle, porta-voz do Congresso Irlandês de Sindicatos, disse à BBC que a manifestação tinha como objetivo enviar uma mensagem clara ao governo.

"Estamos tentando convencer o governo e mostrar ao governo que não há apoio para o plano em meio à sociedade civil e que cada medida que eles tomaram tem sido exatamente o oposto do que eles precisam fazer", afirmou.

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