Polícia e militares invadem o Complexo do Alemão

Mais de 2 mil homens estão posicionados nos 44 acessos do complexo.
Image caption Desde sábado as forças policiais e Exército mantinham cerco ao Complexo do Alemão

Forças policiais e militares iniciaram na manhã deste domingo, por volta das 8h, a invasão do Complexo do Alemão, onde estão centenas de traficantes.

No total, são 800 soldados da Brigada de Infantaria Paraquedista do Exército, 300 agentes da Polícia Federal (PF) e 1,3 mil homens das polícias Militar e Civil mobilizados na para operação no Rio de Janeiro.

Blindados do Exército e da Marinha e veículos do Batalhão de Operações Especiais da PM (Bope) são utilizados na operação. A Polícia Militar estima que entre 500 e 600 traficantes estejam no Complexo do Alemão.

Desde o sábado mais de 2 mil homens das forças de segurança já estavam prontos para invadir o complexo de favelas e mantinham um cerco posicionados nos 44 acessos do complexo.

Na manhã deste domingo, uma hora antes do início da invasão, ocorreram tiroteios intensos na região e os homens estavam posicionados aguardando apenas a chegada dos helicópteros para iniciar as operações.

Ultimato no por-do-sol

Na tarde de sábado, o coronel Lima Castro, relações públicas da PM do Rio, chegou a dizer a jornalistas que os traficantes teriam até o por-do-sol para se entregar.

"A proposta é de paz, mas se formos chamados à guerra, vamos responder com a mesma força", afirmou.

A PM estabeleceu um procedimento para que os traficantes se rendessem. Eles deveriam se apresentar com fuzis sobre as cabeças e entregar as armas num posto montado na rua Joaquim Queiroz, no Complexo do Alemão, próximo à Estrada de Itararé.

No domingo, este foi um dos pontos de entrada das forças policiais.

Segundo Lima Castro, os bandidos estão "desgastados e estressados", sem mantimentos e munição. O coronel afirmou que a superioridade numérica e de equipamento das forças de segurança é total. "Tudo é favorável a nós".

O comandante do Batalhão de Choque, Waldir Soares Filho, disse a jornalistas que todas as pessoas que entram ou saem do Complexo do Alemão estão sendo revistadas e sendo obrigadas a apresentar documento de identidade.

Image caption Moradora foge de casa em meio a soldados no Morro do Alemão.

Ao longo do dia, o Exército realizou vários bloqueios no Complexo do Alemão, parando e revistando pedestres, carros, motos e caminhões para evitar a fuga de traficantes.

Traficantes detidos

No total, 31 pessoas foram detidas e encaminhadas para averiguação pela Polícia Civil no sábado.

Entre eles, está Edson Souza Barreto, o "Piloto", 49 anos, chefe de segurança de Fabiano Atanázio, o "FB", chefe do tráfico na Vila Cruzeiro. Segundo a Polícia, ele tentou fugir da Vila Cruzeiro ao se misturar a um grupo de moradores que descia o morro portando bandeiras brancas.

Já Diego Raimundo Santos, conhecido como "Mister M", se rendeu à Polícia no Morro do Alemão. Ele é suspeito de fazer a segurança do traficante "Pezão", que chefia o tráfico no local. A mãe de “Mister M” disse a jornalistas que convenceu seu filho a se entregar.

Duas pessoas foram feridas a tiros na região na manhã deste sábado, ao tentar escapar do cerco. Os dois suspeitos foram atendidos em um hospital local e levados à delegacia da região em seguida.

O coordenador da ONG Afroreggae, José Júnior, esteve no Complexo do Alemão e tentou convencer traficantes a se entregarem.

“Ninguém falou que queria partir pro enfrentamento, mas não quer dizer que ninguém vá”, afirmou ele à imprensa no local ao sair. “Tentei passar pra eles que deveriam se entregar, para que não morressem e também não expusessem os moradores."

Colaborou Júlia Dias Carneiro, da BBC Brasil no Rio de Janeiro

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