ONGs acusam Israel de não cumprir promessa de amenizar bloqueio a Gaza

Menino brinca perto de túnel destruído pelas forças de Israel em Gaza
Image caption Segundo relatório, Israel não cumpre promessas de amenizar o bloqueio.

Organizações internacionais de defesa dos direitos humanos publicaram um relatório acusando Israel de não cumprir suas promessas de amenizar o bloqueio à Faixa de Gaza.

Um total de 21 organizações internacionais – entre elas, a Anistia Internacional, a Oxfam e a Save the Children - publicaram nesta terça-feira um relatório afirmando que, embora tenha prometido amenizar o cerco a Gaza há seis meses, Israel continua exercendo um "bloqueio cruel" à região.

As organizações acusam Israel de impedir a entrada de materiais de construção na região, que ficou seriamente danificada durante a ofensiva israelense entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009.

Para reconstruir a região, segundo o relatório, são necessários 670 mil caminhões com materiais de construção, mas Israel só permite a entrada de cerca de 700 caminhões por mês.

Crítica de Israel

O governo israelense rejeitou o relatório das ONGs, chamando-o de "tendencioso, falso e enganoso".

Segundo o órgão de coordenação das ações do governo nos territórios ocupados, "desde as facilitações realizadas em junho, houve um aumento de 92% no número de caminhões que passam por Kerem Shalom (ponto de checagem israelense na entrada da Faixa de Gaza)".

"Os palestinos não absorvem o total do volume cuja entrada é permitida na Faixa de Gaza", acrescentou o órgão, afirmando que Israel autoriza a passagem de 250 caminhões, mas os palestinos recebem apenas 180 por dia.

De acordo com as autoridades israelenses, o bloqueio é necessário para impedir a entrada de armamentos que poderiam ser utilizados pelo grupo palestino Hamas para atacar Israel.

Israel anunciou que iria amenizar o bloqueio à Faixa de Gaza depois de uma onda internacional de protestos gerada pelo ataque da Marinha israelense à frota de ajuda humanitária em maio, que deixou nove ativistas turcos mortos.

Desde então, as autoridades israelenses permitiram o aumento da quantidade de mercadorias, principalmente alimentos, que entram na Faixa de Gaza.

Material insuficiente

No entanto, segundo o relatório das organizações internacionais, os materiais de construção cuja entrada Israel permitiu são suficientes para suprir apenas 7% das necessidades estipuladas pela ONU.

O relatório também afirma que, em consequência da destruição causada pela ofensiva israelense, faltam classes para 40 mil alunos nas escolas da Faixa de Gaza e que não há materiais de construção para erguer novas escolas.

As ONGs também apontam uma falta crônica de combustíveis na Faixa de Gaza. Segundo o relatório, Israel permite a entrada de apenas 63% dos combustíveis necessários para a usina elétrica local.

A falta de combustível gera cortes diários de energia em toda a área da Faixa da Gaza.

Efeito nas exportações

Segundo o estudo, as medidas tomadas por Israel para amenizar o bloqueio não tiveram efeito algum sobre a exportação de mercadorias da Faixa de Gaza, que continua proibida.

De acordo com o governo israelense, "as exportações da Faixa de Gaza serão retomadas no primeiro semestre de 2011 e há alguns dias já foi autorizada a exportação de flores e morangos para mercados europeus".

O diretor da Anistia Internacional em Israel, Itai Epstein, disse à radio estatal israelense que "Israel continua impondo um bloqueio cruel à Faixa de Gaza, que constitui uma violação da lei internacional e um ato de punição coletiva para a população".

Para Epstein, "as facilitações anunciadas por Israel serviram principalmente para diminuir a pressão da comunidade internacional sobre o governo israelense para que retire o bloqueio a Gaza".

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